Meu Melhor Amigo: Vivendo e Aprendendo com Tan Ajahn Buddhadasa

Date April 17, 2015

Escrito por Santikaro, Bangkok Post, 27 de maio, 2007

A fim de marcar o centésimo aniversário do nascimento de Buddhadasa Bhikkhu, que ocorre hoje, seu antigo discípulo e tradutor rememora os anos preciosos que passou com o grande mestre espiritual da Tailândia

Ajahn Buddhadasa

Em minha avaliação muito pessoal, Ajahn Buddhadasa Bhikkhu foi o mais significativo, criativo e profundo mestre buddhista thailandês dos tempos modernos. É claro, essa perspectiva não é necessariamente neutra ou objetiva. Tive a grande fortuna de viver com ele em Suan Mokkh pelos últimos nove anos finais de sua vida – nove anos que foram os mais significativos da minha. Lá eu vivi de forma a estudar e treinar com ele, uma experiência ricamente inspiradora e feliz.

Cheguei em Suan Mokkh em uma época que um tradutor regular era necessário. Meus anos no Corpo da Paz haviam me equipado para preencher tal função, a qual considero como a maior benção de minha vida. A experiência de ter tido uma exposição impecavelmente profunda do Buddha Dharma através de Tan Ajahn foi uma educação incrível.

Também dirigi retiros mensais de meditação em Suan Mokkh International por muitos anos. Isso se deve grandemente por ter tido acesso regular à orientação de Tan Ajahn, por meio de centenas de horas de discussões de Dhamma, especialmente concernentes à vigilância por meio da respiração. As gravações de tais conversações são meu mais valioso tesouro material.

Neste espaço, gostaria de transmitir algumas das coisas de meu relacionamento com Tan Ajahn que mais foram significativas para mim.

Tudo em termos de Dharma

Tan Ajahn tinha uma habilidade profunda e refinada de ver todas as coisas em termos de Dharma, e isso com um irônico senso de humor. Suas perspectivas sobre o funcionamento da sociedade, a educação das crianças, arte e poesia, tradições e rituais religiosos, prática de meditação, direção de um monastério – tudo isso era fundamentado no Dharma.

Santikaro (sentado no meio, fileira da frente) em uma foto com seu professor Buddhadasa Bhikkhu (esquerda, fileira de três), Phra Panyananda Bhikkhu (direita, fileira da frente) e outros monges em Dawn Kiam onde Santikaro foi abade.

 

Ao ensinar o Dharma, Tan Ajahn se fundamentava sempre na essência de dukkha (sofrimento) e no fim de dukkha, idappaccayata (condicionalidade) e no Dharma como dever. Logo no início de meu treinamento, ele me aconselhou a memorizar as palavras do Buddha que diziam: “Agora, tanto quanto no passado, ensino apenas dukkha e o completo arrefecimento de dukkha“. Que maneira maravilhosamente simples e direta de se lembrar do que realmente é importante! Apesar de não ter ainda chegado ao fundo de dukkha, tenho feito progresso e por isso tenho uma tremenda dívida para com ele.

Ele nos incentivava a sempre considerar as coisas à luz de idappaccayata. Todas as coisas surgem, fazem sua dança no estágio do mundo, e passam devido a causas e condições; por sua vez, elas são causas e condições para outras coisas. Esse fluxo de condicionalidade é o que chamamos de vida, universo ou verdade. Essa visão libertadora me ajudou a escapar das tendências de um pensamento do tipo preto e branco, culpando aos outros pelos problemas e egoísmo, ajudando-me a desenvolver um sentido maior da existência mútua dos seres no samsara (o ciclo sem fim de nascimento, sofrimento, morte e renascimento).

No tocante ao estudo do Dharma, Tan Ajahn era um pensador supremamente cuidadoso. Não era suficiente memorizar e repetir os ensinamentos do Buddha; era preciso considerar seu significado, cuidadosa e profundamente. Ele dava grande importância a como usar a linguagem, admitindo que frequentemente ela tornava o entendimento do Dharma mais difícil.

Como seu tradutor, tive muitas oportunidades de discutir não apenas palavras pali, mas as traduções inglesas para elas. Para meu embaraço, com minha graduação em inglês, por vezes ele me sugeria uma tradução que eu zombava inicialmente para no momento seguinte, após consultar o dicionário, perceber que ele compreendia sutilezas da palavra que eu tinha passado por cima.

Ele também nutria uma lealdade com relação aos Suttas em Pali digna somente de alguém que houvesse tomado o nome Buddhadasa para si. Tal lealdade era mais profunda que mera aderência às palavras impressas. Ele lia os suttas de forma crítica e com uma mente aberta, sempre inquirindo sobre que palavras tinham que ver com o fim de dukkha. Ele não subscrevia às contradições do Buddhismo Theravada. Ele não se importava em ler e re-ler, e a inquirir quais das tradições e interpretações se encaixavam com os tópicos e temas maiores dos ensinamento pali. Quais eram relevantes ao término de dukkha? Compartilhavam do vazio que o Buddha declarara ser parte integrante de seu ensinamento?

Trabalho como Dharma

Para um “Servo do Buddha”, o trabalho é um tema importante. Como Dharma, o trabalho é uma questão de servir à Tríplice Joia ao invés de servir às impurezas comuns da ambição, cobiça ou medo. Quando o trabalho é uma prática espiritual, ele é dever no sentido mais alto da palavra, isto é, ele responde ao Dharma, à realidade da natureza e é nossa natureza como seres humanos. “Dever”, talvez o sentido mais antigo de Dharma, não é aquilo imposto pela tradição religiosa, pressão social ou suborno econômico; ele surge de uma mente alerta com clara visão da realidade a cada momento.

Isto foi e permanece um poderoso desafio para mim – como podemos trabalhar sem nos fixar em objetivos e tarefas? Como podemos deixar passar nosso desejo de sermos produtivos de maneira a impressionar ou ganhar aprovação? Como podemos trabalhar sem ansiedade? Como podemos equilibrar o trabalho com as outras necessidades de nossa vida? Como podemos trabalhar sem tornar o trabalho um projeto do ego? E ainda mais crucialmente, como nos aproximamos do trabalho como divertimento?

Sanuk é uma maravilhosa palavra tailandesa. Tal como eu a entendo, sanuk expressa um sentido de que qualquer coisa que valha a pena ser feita deve ser feita com prazer. Esta é uma arte cultural que Tan Ajahn expressou, tanto para lembrar aos tailandeses de sua herança em face ao capitalismo selvagem, e também para proteger o trabalho da escravidão dos salários. Assim, hoje, enquanto ensino nos EUA e trabalho no Liberation Park, um refúgio rural do Dharma, inpirado por Suan Mokkh, eu trago à lembrança suas palavras para que nos lembremos de desfrutar aquilo que estamos fazendo, a parar e repensar quando nos encontramos sob pressão, estressados ou insatisfeitos. Lembramo-nos dos ensinamentos de Tan Ajahn e nos lembramos que trabalho é Dharma, é dever natural. Trabalho e Dharma não precisam se confrontar um ao outro; o trabalho é como navegamos no mundo com o suporte da libertação, ambos inseridos e provenientes do mesmo mundo.

Dharma como princípio natural

Houve tempos em Suan Mokkh quando me irritava e incomodava com o comportamento de outros estrangeiros, de turistas e viajantes os quais eu julgava ignorantes ou inconscientes quanto às sutilezas da cultura tailandesa. Minha resposta imediata era de que: “precisamos estabelecer regras para tais pessoas“. De tempos em tempos eu me aproximava de Tan Ajahn com uma proposta desta ou daquela regra. Inevitavelmente ele sorria, usualmente não dizia muito, algumas vezes ria, mas nunca levou seriamente minhas tentativas de estabelecer regras, exceto quando eu era cabeça dura o suficiente para abrir discussões sobre a questão. Então, ele mostrava que estabelecer regras para outros equivalia forçá-los a ser da forma que queríamos que fossem e que isso não seria de ajuda nem para eles nem para nós. Aprendi com ele uma capacidade de relaxar tal rigidez quando mais coisas estavam em jogo.

Ele considerava a bondade e a compaixão em relação aos outros como mais importante que a rigidez sobre o Vinaya (a disciplina monástica). Compreendi tal atitude como sendo bondosa e compassiva em relação aos outros. Embora não fosse descuidado quanto ao Vinaya, ele sabia que monges rígidos não eram monges felizes, nem tampouco bons professores de Dharma. Essa era uma lição de que eu precisava.

Ainda assim, estar relaxado quanto às regras não significava irresponsabilidade ou meramente seguir com o fluxo. Tan Ajahn exemplificou o mais alto sentido de responsabilidade, não apenas para consigo mesmo, mas por sua cultura, seu país e o mundo. O Dharma poderia tomar conta de si mesmo, mas sua expressão na sociedade humana era uma responsabilidade crucial para ele. Tan Ajahn se fixou nos ideais mais elevados, concebendo uma sociedade onde o egoísmo não mais reinaria e o mundo estivesse realmente em paz. Ele não tinha medo em apoiar tais princípios, ainda assim, dava um passo por vez, com humor, humildade e respeito aos outros. Eu me esforço por imitar seu idealismo de pés no chão.

Exemplo de vacuidade

Uma vez que tomo Tan Ajahn como meu professor, frequentemente espero que ele me diga o que fazer. Devo aceitar tal convite para palestrar? O que devo traduzir? Quanto devo meditar? Embora sempre estivesse disposto a discutir as opções, ele evitava de tomar decisõs por mim. Usualmente ele apenas ria e sugeria que eu crescesse e decidisse por mim mesmo.

Em meus momentos mais imaturos eu trazia a ele não dilemas e decisões, mas uma litania de reclamações ou pedidos para que ele “consertasse” de alguma forma ou outra. Ele nunca se opôs à minha tolice, raiva ou teimosia; pelo contrário, meus vômitos egoístas dispersavam-se em sua não-oposição. Ao invés de amplificar minhas reações em outro espelho egoísta, com ele era como falar com o vazio. Ele se relacionava com tudo em Suan Mokkh dessa maneira. Ele não estava lá para dizer às pessoas o que fazer, ser seu guru ou tornar as coisas melhores. Ao contrário, ele estabelecia um exemplo de maturidade espiritual. Ele se comportava conosco de uma forma que nos desafiava a crescer.

À medida que olho para fotos de Tan Ajahn desde minha morada atual, e relembro aqueles anos maravilhosos, sinto um grande amor pelo melhor amigo que jamais terei um igual. Fui abençoado com muitos amigos maravilhosos, mas Tan Ajahn me proporcionou uma amizade que é mais profunda que qualquer outra. Ainda mais, sua amizade, que era sobre a intimidade com o Dharma, enriqueceu todas as minhas outras amizades. Espero sinceramente poder encontrar formas de manter esse entendimento e experiência do Dharma vivos em nosso mundo, especialmente aqui nos EUA onde há tanto medo, confusão e sofrimento.

Santikaro viveu com Buddhadasa Bhikkhu durante os últimos nove anos da vida de Buddhadasa Bhikkhu e tornou-se seu principal tradutor. Ordenado como bhikkhu Theravada em 1985, Santikaro passou a maior parte de sua vida monástica em Suan Mokkh. Durante seu tempo lá ele dirigiu muitos retiros de meditação, ensinou por toda a Tailândia e dirigiu Dawn Kiam, uma pequena comunidade monástica para estrangeiros. Retornou em 2000 e atualmente reside em Liberation Park, na zona rural de Wisconsin, com sua parceira, Jo Marie. Liberation Park é um pequeno refugio seguindo o modelo de Suan Mokkh.

copyright 2007 tradução de Ricardo Sasaki, para a Comunidade Nalanda,

http://buddhadasa.nalanda.org.br

 

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My Best Friend: Living and learning under Tan Ajahn Buddhadasa

Date April 17, 2015

Story by Santikaro, Bangkok Post, May 27, 2007

To mark the 101st anniversary of the birth of the late Buddhadasa Bhikkhu today, his former disciple and translator looks back on the precious years he spent with Thailand’s great spiritual teacher

Ajahn Buddhadasa

In my very personal estimation, Ajahn Buddhadasa Bhikkhu has been the most significant, creative and profound Thai Buddhist teacher of modern times. Of course, this perspective is not necessarily neutral or objective. I had the great fortune to live with him at Suan Mokkh for the final nine years of his life – nine years which were the most significant of mine. I lived there in order to study and train with him, a richly inspiring and joyful experience.

I arrived at Suan Mokkh at a time when a regular translator was needed. My years in the Peace Corp had equipped me to fill that role, one I count as a great blessing in my life. The experience of having an impeccably profound exposition of Buddha Dharma passed on to me from Tan Ajahn was an incredible education.

I also led monthly meditation retreats at Suan Mokkh International for many years. This was largely possible because I had regular access to Tan Ajahn’s guidance, through hundreds of hours of Dharma discussions, especially concerning mindfulness with breathing. The recordings of these conversations are my most valued material treasure.

In this space, I would like to convey a few of the things from my relationship with Tan Ajahn that have meant the most to me.

Everything in terms of Dharma

Tan Ajahn had a deep and refined ability to see all things in terms of Dharma, and also with a wry sense of humour. His perspectives on the workings of society, the education of children, art and poetry, religious traditions and rituals, meditation practice, the running of a monastery – all of these were grounded in Dharma. Santikaro (seated in the middle, front row) in a picture with his teacher Buddhadasa Bhikkhu (left, second row), Phra Panyananda Bhikkhu (right, front row) and other monks at Dawn Kiam where Santikaro was abbot.

In teaching Dharma, Tan Ajahn was always grounded in the basics of dukkha (suffering) and the end of dukkha, idappaccayata (conditionality) as well as Dharma as duty. Early in my training, he advised me to memorise the Buddha’s words, saying, “Now, as well as in the past, I teach only dukkha and the utter quenching of dukkha.” What a wonderfully simple, direct way to remember what it’s all about! Though I’ve still not arrived at the bottom of dukkha, I’ve made progress, and for that I owe him a tremendous debt.

He urged us always to consider things in the light of idappaccayata. All things arise, do their dance on the stage of the world, and pass away due to causes and conditions; in turn, they are causes and conditions for other things. This flow of conditionality is what we call life, the universe, or truth. This liberating vision has helped me to escape tendencies towards black and white thinking, blaming others for problems and egoism, and has helped me to develop a greater sense of our mutual existence as beings in samsara (the endless cycle of birth and suffering and death and rebirth).

When it came to Dharma study, Tan Ajahn was an exceedingly careful thinker. It wasn’t enough to memorise and repeat the Buddha’s teachings; one had to consider the meaning carefully and deeply. He gave great importance to how we use language, admitting it often made understanding Dharma more difficult.

As his translator, I had many opportunities to discuss not only Pali words, but the English translations for them. Embarrassingly, for an English honours graduate, there were times when he would suggest a translation that I was quizzical about, only to find after looking it up in the dictionary that he understood subtleties of the word that I had overlooked.

He also conveyed a loyalty to the Pali suttas that could only befit someone who has taken the name Buddhadasa. This loyalty was deeper than mere adherence to the printed words. He read the suttas critically and with an open mind, always inquiring what the words had to do with the end of dukkha. He didn’t gloss over the contradictions of Theravada Buddhism. He took time to read and re-read, and to inquire which of the traditions and interpretations fitted with the major threads and themes of the Pali teachings. Which were relevant to the ending of dukkha? Did they partake of the emptiness that the Buddha declared were part and parcel of his teaching?

Work as Dharma

For a “Servant of the Buddha”, work is an important theme. As Dharma, work is a matter of serving the Triple Gem rather than serving the common defilements of ambition, greed or fear. When work is spiritual practice it is duty in the highest sense of the word, that is, it responds to Dharma, to the reality of nature and our nature as human beings. “Duty”, perhaps the most ancient meaning of Dharma, is not what is imposed by religious tradition, social pressure or economic bribery; it arises from clear sighted awareness of the reality of each moment.

This was and remains a powerful challenge for me – how do we work without fixating on goals and tasks? How do we let go of our desire to be productive in order to impress or win approval? How do we work without anxiety? How do we balance work with the other needs of our life? How do we work without making it an ego project? Even more crucially, how do we approach work as fun?

Sanuk is a wonderful Thai word. As I understand it, sanuk expresses a sense that anything worth doing ought to be done pleasurably. This is a cultural art that Tan Ajahn expressed, both to remind Thais of their heritage in the face of the capitalist onslaught and to protect work from wage slavery. So today, as I teach in the US and work on Liberation Park, a small rural Dharma refuge inspired by Suan Mokkh, I call on his words to remind us to enjoy what we are doing, and to stop and rethink when we find ourselves pressured, stressed out, or dissatisfied. We remember Tan Ajahn’s teachings and remind ourselves that work is Dharma, is natural duty. Work and Dharma need not be at odds with each other; work is how we navigate the world in support of liberation, both in and from this same world.

Dharma as natural principle

There were times at Suan Mokkh when I was annoyed or discomfited by the behaviour of other foreigners, by the tourists and travellers whom I judged as ignorant or oblivious to the subtleties of Thai culture. My knee-jerk response was that “we need to make rules for these people.” From time to time I’d approach Tan Ajahn with a proposal for this or that rule. Inevitably he smiled, usually he didn’t say much, sometimes he chuckled, but he never took my attempts at rules seriously, except when I was stubborn enough to argue the point. Then, he would point out that making rules for others amounts to trying to force them to be the way we want them to be and that this helps neither them nor us. I learned from him a capacity to relax such rigidity when more was at stake.

He considered kindness and compassion towards others as more important than rigidity about Vinaya (monastic discipline). I came to see this attitude as being kind and compassionate towards ourselves. Though he was not sloppy about the Vinaya, he knew that uptight monks are not happy monks, nor are they very good Dharma teachers. That was a lesson I needed.

Yet, being relaxed about rules did not mean irresponsibility or merely going with the flow. Tan Ajahn exemplified a high sense of responsibility, not only for himself, but for his culture, his country, and the world. The Dharma could take care of itself, but the expression of it in human society was a crucial responsibility for him. Tan Ajahn stuck to the highest ideals, envisioning a society in which selfishness no longer reigns and the world is truly at peace. He wasn’t afraid to stand by these principles, yet he took them one day at a time, with humour, humility and respect for others. I strive to emulate his down-to-earth idealism.

Exemplar of emptiness

Since I looked up to Tan Ajahn as my teacher, I often expected him to tell me what to do: Should I accept this speaking invitation? What should I translate? How much should I meditate? Although he was always willing to discuss the options, he refrained from ever making decisions for me. Usually he just chuckled and suggested that I grow up and decide for myself.

In my more immature moments I would bring him not dilemmas and decisions, but a litany of complaints or requests that he “fix” something or other. He never opposed my foolishness, anger and stubbornness; rather, my egoistic spewings would disperse in his non-opposition. Instead of amplifying my reactions in another egoistic mirror, he was like talking to emptiness. He related to everything at Suan Mokkh this way. He wasn’t there to tell people what to do, to be their guru, or to make everything better. Instead, he set an example of spiritual maturity. He behaved towards us in a way that challenged us to grow up.

As I look at the pictures of Tan Ajahn in my current dwelling, and think back to those wonderful years, I feel a great deal of love for the best friend I’ll ever have. I’ve been blessed with many wonderful friends, yet Tan Ajahn gave me a friendship which is deeper than the rest. Even more, his friendship, which was about intimacy with Dharma, has enriched all my other friendships. I sincerely hope that I can find ways to keep this understanding and experience of Dharma alive in our world, especially here in the US where there is so much fear, confusion, and suffering.

Santikaro lived with Buddhadasa Bhikkhu during the last nine years of Buddhadasa Bhikkhu’s life and became his primary translator. Ordained as a Theravada Bhikkhu in 1985, Santikaro spent most of his monastic life at Suan Mokkh. During this time he led many meditation retreats, taught throughout Thailand and led Dawn Kiam, a small monastic community for foreigners. He returned to the US in 2000 and currently resides at Liberation Park in rural Wisconsin with his partner, Jo Marie. Liberation Park is a small refuge modelled after Suan Mokkh.

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Um encontro com Ajahn Buddhadasa

Date November 12, 2014

SanghaWholeAgain

 

“Minha mãe morreu de repente quando eu tinha 29 anos. Depois disso senti fortemente a necessidade de ter alguém que pudesse me ajudar a entender sobre o que era tudo aquilo – viver como um ser humano. Um ano depois eu viajei até a Tailândia a fim de conduzir uma pesquisa enquanto antropóloga cultural e, por coincidência, visitei um mosteiro no sul da Tailândia onde havia um retiro programado para começar dentro de três dias, dirigido por um monge muito famoso, Ajahn Buddhadasa. Claro que eu não tinha ideia de quem ele era. Mas quando o encontrei tive uma sensação profunda de reconhecimento de que havia algo para mim naquilo. Ele tinha uma força, uma imperturbabilidade de coração que conseguia transmitir com seu ser. Eu queria aquilo também para mim, pois minha vida era perturbada por todos os cantos. Tornou-se claro para mim que eu queria ser como ele, que eu queria conhecer o que ele conhecia.

 

Vivi na Tailândia por vários anos, retornando ao mosteiro algumas vezes, e comecei a sentir um chamado crescente para a vida monástica, o que realmente me deixava confusa. Eu não estava pronta para tudo aquilo naquela época. E, realmente, pensava que se tornar uma monja era algo louco para se fazer. Mas não conseguia esquecer aquele forte chamado. E, então, três ou quatro anos após meu primeiro encontro com Ajahn Buddhadasa, eu acabei indo lá, vivendo um ano e meio como uma upasika, uma renunciante laica, antes de ir até o Mosteiro Amaravati na Inglaterra… onde me tornei uma ananagarika, uma monja de oito preceitos”. Ayya Santacitta | http://www.tricycle.com/living-dharma/making-sangha-whole-again

“Fumaça à noite, fogo de dia”

Date October 14, 2014

smoke“Fumaça à noite” refere-se aos insones e inquietos. Um sofredor dessa reclamação fica a noite toda com a mão na cabeça, planejando ir aqui ou ali, pensando em como ganhar dinheiro, como ficar rico rápido e adquirir várias coisas que deseja. Sua mente é cheia de “fumaça”. Tudo o que consegue fazer é ficar assim até a manhã, quando consegue levantar e sair correndo, obediente às vontades da fumaça que ficou mantendo a noite inteira. Essa atividade fervente é o que Buda referiu-se como “fogo de dia”. Esses são os sintomas de uma mente que não atingiu a tranquilidade, uma mente que vem sendo privada de nutrição espiritual. É uma fome e sede patológicas induzidas por um poluente chamado desejo sedento. Durante a noite inteira, a vítima reprime a fumaça e o calor, que tornam-se fogo pelas manhãs e que então incendeiam calor dentro dela durante o dia todo. Se uma pessoa é obrigada, durante toda a sua vida, a suprimir “a fumaça à noite”, que então vira “fogo de dia”, como ela pode algum dia achar frescor e paz? Apenas visualize a sua condição. Ela suporta o sofrimento e tormentos por toda a sua vida, desde o nascimento até que entra no caixão, simplesmente por falta da visão que pudesse erradicar completamente esse fumo e fogo. Para tratar de tal situação, nós devemos fazer uso do conhecimento proporcionado pelo Buddha. O fumo e o fogo diminuem proporcionalmente ao entendimento da verdadeira natureza das coisas. ~ Ajahn Buddhadasa

O Eu é Pesado

Date August 5, 2014

Ajahn BuddhadasaSe entendermos nossos problemas clara e completamente, então seremos capazes de fazer algo em relação a eles. Precisamos, por esse motivo, dar a devida atenção a eles. Se olharmos cuidadosamente poderemos ver que existem dois tipos de vida: existe a vida pura, a parte essencial da vida; e existe um tipo de vida que tem algo extra, alguma coisa adicionada. Essa adição é o peso. Precisamos entender isso cuidadosamente e ver que existem esses dois tipos, pois a maioria de nós mistura e confunde as duas vidas. Quando falamos sobre a vida pura, uma vida na qual não há nada extra, estamos falando sobre nāma e rūpa, ou mente e corpo. Vida pura é apenas mente e corpo; isso é tudo que existe. Mas uma vida que é um entrave a si mesma tem algo adicionado; um terceiro elemento é adicionado à mente e ao corpo. Em pāli, isso é chamado de ‘attā’. Em português, podemos chamar de ‘eu’. Quando tomamos a vida pura da mente e do corpo e adicionamos um ‘eu’ a isso, então existe este ‘eu’ que pode sofrer. Esse é o componente extra que foi adicionado.

Adicionando ego – algumas pessoas chamam de ‘espírito’ ou ‘alma’ , esta ideia de que há uma substância eterna que faz de você ‘você’, que faz você um indivíduo especial, uma personalidade separada – é o que torna a vida um peso . Então, se você é sábio, você aprende a distinguir entre a vida pura da mente e do corpo, nada mais que a mente o corpo, e a opressão, a vida pesada onde você adicionou esta coisa chamada ego.

Muitas vezes, quando dizemos que não existe o eu, as pessoas ficam preocupadas ou com raiva. O apego e identificação a essa ideia é tão forte que elas realmente podem se tornar hostis em relação a nós se começamos a dizer que tal coisa não existe. Portanto, precisamos explicar isso um pouco para que vocês não fiquem com raiva de nós. A ideia de um eu é comum a todos. Seja do Oriente, seja do Ocidente, todos temos algum tipo de ideia e crença em um eu. Absolutamente cada um de nós. É uma ilusão fundamental que surge em todas as mentes humanas. Indianos, tailandeses, chineses, todo mundo anda por aí com esta ideia de um eu, uma alma, um Atman, ou o que quer que se queira chamá-lo.

Temos de olhar para isso e ver se realmente existe tal coisa. Como é que esta ideia de um ‘eu’ surgiu? O que acontece para que ela surja em crianças? Uma criança pode estar a andar, por exemplo, e esbarra numa cadeira. Machuca a perna e fica zangada. A criança, então, chuta a cadeira, talvez com muita força. A cadeira transformou-se numa pequena pessoa para a criança; a cadeira foi identificada como uma coisa individual, e foi-lhe dada uma personalidade. E, dado que a cadeira a atacou agressivamente, a criança reage com fúria. Esse é o resultado de não entendermos como as coisas são. A criança é ignorante a respeito da realidade da cadeira. A cadeira não tem personalidade e, então, é absolutamente ridículo ficar furioso com qualquer objeto inanimado. Mas, por causa da ignorância, de não se entender, a ilusão de um ‘eu’ surge, não apenas para com as cadeiras, mas para com o corpo e a mente — o ‘eu’ surge, o ‘eu’ que é diferente da cadeira.

Essa é uma ilusão fundamental constantemente sendo condicionada na mente humana, na mente de todos os seres sencientes. E está enraizada na ignorância. Essa ilusão, a ideia de ‘self’, está constantemente surgindo na mente. Essa ideia, ou sentimento, de que há um self, e que ele é real. O sentimento existe; nós o experimentamos constantemente. Conforme vocês me ouvem agora [ou leem isso agora], vocês estão provavelmente me transformando em uma alma; e vocês, espectadores [ou leitores], em outras almas. Essa ideia está constantemente surgindo. Essa ilusão é real, mas não há realidade por trás dessa ilusão. A ideia de que há um ‘eu’ ocorre. Mas não há mesmo! É apenas uma ilusão! E estamos trabalhando com todas essas ilusões, conferindo esta ‘alma’, esta ‘individualidade’, esta ‘personalidade’, para as coisas o tempo todo. Estamos constantemente fazendo isso por causa de nossa falta de compreensão. Essa ignorância realmente surge, mas o que nós pensamos que existe, ou seja, um ‘eu’, não existe. Porque essa ilusão fundamental é tão comum nas mentes dos seres sencientes, torna-se muito difícil para nós entendermos o que é dito quando se fala sobre esse assunto. Então, por favor, não fiquem com raiva ou frustrados, nervosos ou preocupados. Basta tentar entender o que está sendo dito. Coloquem a sua ‘alma’ de lado por um momento e pensem sobre as coisas claramente.

Essa ideia ou ilusão do ego é algo realmente enterrada profundamente na mente. Ela está presa lá dentro, e é muito difícil de erradicar por duas razões: uma delas é que surge espontânea e instintivamente, como no caso da criança que ficou irritada com a cadeira; e a outra é que é apoiada, nutrida e encorajada nas vidas de todos nós. À medida que aprendemos a nos relacionar com o mundo que nos rodeia quando somos bebês, somos ensinados por nossos pais, irmãos e irmãs de que isto sou ‘eu’, isto é ‘você’, isto é ‘meu’, isto é ‘nosso’. Somos ensinados a nos prender a coisas e a identificá-las como ‘eu’, ‘meu’ e como entidades separadas, desde o início. No topo da tendência instintiva para essa ilusão, somos penetrados por esse ideia vinda das pessoas que mais nos amam. Essa ideia ou sentimento, é, portanto, muito profunda; está presa lá com uma cola muito forte. Agora, alguns de vocês podem pensar que o que estamos falando é loucura. Podem estar balançando a cabeça e pensando que esses monges não sabem do que estão falando, mas nós os encorajamos a ouvir com muito cuidado, porque vamos dizer como é possível erradicar essa ilusão do eu, que é a causa do fardo da vida.

Todos nós temos medo de abandonar essa ideia de um ‘eu’. E quando falamos de desenraizá-lo, soa como se estivéssemos dizendo para que matem a si mesmos, para cometer suicídio. Isso mostra o quão grande é sua confusão e, portanto, eu os encorajo a terem um novo olhar sobre essa questão. Tentem colocar de lado todas as opiniões, preconceitos e ideias que tenham acerca de uma alma, um espírito, um ‘self’ – todos esses conceitos sobre ‘eu’ – o grande eu, o pequeno eu, o grande ‘self’, o pequeno ‘self’, qualquer coisa. Comece de novo. Tenha um novo olhar sobre o ‘self’. Venha para o tema como se fosse completamente novo, com uma clareza e mente clara que não está obscurecida por todos os velhos condicionamentos. Olhem para si mesmos frequentemente, e vejam o que realmente está lá. O que é esse eu? Não fiquem nervosos ou com medo. E não julguem tudo aquilo que está sendo dito. Abordem essa questão com uma mente completamente nova. Não pensem que o que estamos dizendo é que vocês têm que matar a si mesmo. Se entenderem nossas palavras desse modo, não estarão ouvindo. Não estamos sugerindo que matem a si mesmos ou destruam suas vidas. Não estamos dizendo que devem se desfazer da vida. O que estamos falando é sobre libertar a vida dessa ilusão de si mesmo.

O ‘self’ nem mesmo existe. É por isso que dizemos que ele é uma ilusão, uma fantasia, um mal-entendido. E queremos libertar a vida disso, porque esse é o fardo. Essa ilusão é algo extra; ela não existe. Então, matar essa ilusão não prejudica a vida nem um pouco. Na verdade, isso liberta a vida de toda a insatisfação, todo o dukkha. Essa é a forma de resolver todos os nossos problemas. Essa é a forma de lidar com todas as nossas frustrações, dores, sofrimentos, decepções, tristezas, preocupações e medos. A vida pura é apenas corpo e mente. Não existe alma, não existe o eu. Então, o que estamos falando não é sobre matar a si mesmo, mas libertar a vida desse fardo, dessa ilusão.

Agora, como a ilusão de um eu surge na mente que não tem um eu? O feto no útero materno não tem concepções ou ideias sobre um eu. Mas, então, há o nascimento. E os órgãos dos sentidos da criança começam a funcionar. Conforme esses órgãos dos sentidos recebem estímulos do ambiente, a criança começa a interagir com esse ambiente. Há uma experiência de gosto quando a criança se alimenta do seio de sua mãe. A boca experimenta o leite e gosta dele. O leite é saboroso, satisfaz, é atraente e a mente do bebê é atraída pelo sabor num sentido positivo. Isso é o sentimento prazeroso, vedanā prazeroso, que causa muitos problemas. O bebê tem prazer com o leite, satisfaz-se com ele. E, então, algum tipo de sentimento começa a surgir na mente infantil.

Pode não ser uma ideia intelectual, mas há o sentimento de um ‘eu’, o ‘eu’ que tem prazer, o ‘eu’ que está satisfeito, o ‘eu’ que gosta – ‘eu’ gosto! ‘Eu estou satisfeito!’ ‘Eu estou satisfeito!’ Este ‘eu’ surge na criança. Quando isso acontece muitas e muitas vezes com todos os tipos de experiências diferentes, já que ela é alimentada e apoiada por pais e outras pessoas, essa ideia cresce, a ideia de um ‘self’. No início, a ideia de um ‘eu’ só surge e passa, carregada de sentimentos diferentes, com o rótulo de sentimentos; mas como acontece muitas e muitas vezes, torna-se uma forma habitual de se relacionar com a vida. E assim, o ‘eu’ já não é algo temporário, mas cresce no que chamamos ponto de vista, um preconceito profundamente arraigado que prejudica a mente, que é teimosa e estreita. A mente é completamente absorvida na visão de que existe um eu. Então, dessa forma, a ilusão surge. E essa visão é agarrada tão fortemente que a mente não a desafia. A mente não vai ouvir a razão ou observar a situação com cuidado, porque se apega a essa visão com muita força. Essa visão se solidifica cada vez mais e mais, como a criança que cresce até se tornar num adulto, e não há nenhuma forma para que a verdade possa brilhar na situação. Então, é assim que a ideia, a ilusão de um eu, surge na mente do recém-nascido. E é assim que o eu que não existe, torna-se uma coisa real em nossas mentes. Não existe tal coisa como um eu, mas essa visão de um eu torna-se algo real. E, então, isso é um fardo da vida.

Assim, logo que este ‘eu’ surge, imediata e automaticamente segue-se o sentido de um ‘meu’. Primeiro vem a ilusão de um ‘eu’ e, depois, uma vez instalado, segue-se a ilusão de um ‘meu’. E do ‘meu’ surge a ilusão de ‘eu mesmo’. Há o ‘eu’, o sentido de possuir e depois há o ‘eu mesmo’- as coisas que nós possuímos, com as quais nos identificamos e às quais nos apegamos como ‘minhas’. A essas três coisas juntas chamamos de upādāna. Upādāna é uma palavra pāli que pode ser traduzida por ‘agarrar’, ‘segurar’ e ‘apegar-se’. Então, este apego ao ‘eu’ leva ao apego ao ‘meu’ e ao ‘a mim mesmo’.

E assim todos os tipos de coisas se tornam fardos para a mente. Este é o problema da vida. Nós não só aderimos às coisas agradáveis, é claro, como as experiências gratificantes, mas também as coisas desagradáveis – ‘eu’ sofro, ‘eu’ estou doente, ‘minha’ dor, ‘minha’ doença, ‘minha’ morte. E alguns de nós ficam tão empolgados com tudo isso que passamos inclusive a falar de ‘meu’ mundo. Aderimos ao mundo todo. Nós reivindicamos o todo como sendo ‘meu’. Essa é a forma como esse processo inteiro torna-se realmente uma carga e como o nosso orgulho e ego não conhecem limites nessa ilusão e aderem a tudo. Deem uma olhada nisso. Olhem claramente, sem quaisquer preconceitos e vejam se não é isso o que acontece.

E agora, o que vocês vão fazer com isso? Vocês precisam aprender a distinguir duas situações. Vocês devem perceber a diferença entre o momento em que a ilusão de ‘eu’ surge na mente, e quando não existe essa ilusão. Precisam ser capazes de observar a mente muito de perto, com uma grande fome, para ver isso, para distinguir duas condições – a condição da mente oprimida por essa ilusão, e a mente livre dessa ilusão. Essas duas condições devem ser discriminadas. Quando começarem a ver essas duas diferentes condições na mente, verão que a ilusão de ‘eu’ é muito pesada. E vocês verão que a ausência dessa ilusão deixa a mente muito leve.

Uma vez que começam a distinguir entre essas duas condições, então, serão capazes de ver como essa ilusão surge. Está sempre indo e vindo nas mentes dos seres sencientes. Vocês poderão ver e entender como essa ilusão aparece, de onde o ego vem. Poderão ver isso. Não precisarão acreditar em mim. Poderão ver por si mesmos. E uma vez que entendam de onde essa ilusão vem e como isso surge, então saberão o que fazer. Verão o que precisa ser feito para arrancar a raiz dessa ilusão. Mas precisam querer isso de verdade, porque isso é sutil e se não olharem com cuidado deixarão escapar, como têm deixado escapar por toda a sua vida.

“O Eu é Pesado” por Buddhadasa Bhikkhu, foi traduzido pelo Grupo de Tradução do Centro Nalanda com a permissão dos detentores do copyright.

* Se você tem ‘dotes linguísticos’ e gostaria de traduzir e dispor suas traduções em nossa sala de estudos para que mais pessoas possam ter acesso aos ensinamentos do Dhamma, nós o/a convidamos para entrar em contato conosco. Precisamos de tradutores do espanhol, inglês, alemão e outras línguas.

Key translators of Buddhadasa’s Teachings

Date April 23, 2014

A list of key translators of Ajahn Buddhadasa was published by the Buddhadasa International Archives. Here it is.

Ajahn Buddhadasa

Ajahn Buddhadasa

Quando o tempo existe

Date March 11, 2014

quando o tempo existe

O tempo existe apenas para as pessoas que desejam na ignorância, então, experienciam o desejo tolo e o significado de tempo imediatamente ‘nasce’ para elas. Se não desejam tolamente, então, o tempo não existe para elas, o tempo tampouco ‘nasce’ para elas. Assim, porque pessoas comuns têm desejos, então, elas também têm tempo, o tempo existe para elas.

Daí que todos neste mundo têm que lidar com o tempo. Quando alguém deseja, no momento em que há desejo, há tempo; quando não há desejo, não há tempo também, o tempo perde seu significado. Assim, tempo existe apenas quando desejamos, quando queremos algo na ignorância. ~ Ajahn Buddhadasa


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Castelos no Ar

Date March 10, 2014

Castelos no ar

 

Por que é ensinado que viver no presente, evitando o enredar-se no passado e no futuro, é o melhor modo de se viver?

Bem, é porque se entreter com o passado significa que memórias, questões do passado nos perturbarão, quebrando nossa paz mental. E será o mesmo com o futuro: Qualquer um que se entretenha com expectativas não sábias ‘construirá castelos no ar’ e não será capaz de experienciar um verdadeiro estado pacífico da mente. Esperanças e expectativas são coisas problemáticas. ~ Ajahn Buddhadasa

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Quando trabalhar, trabalhe com uma mente vazia

Date February 18, 2014

mente clara no trabalho

mente clara no trabalho

“As pessoas precisam de alguma forma trabalhar, quase sem exceção todos tem que trabalhar, então, quando trabalhamos, que o façamos com uma mente esperta e clara, com uma mente vazia (*de eu, meu e meu eu*), e não com uma mente enfadada e pesada – não trabalhe com uma mente tensa, com uma mente apegada, faça-o com uma mente clara e vazia”. ~ Ajahn Buddhadasa

O tempo para os arahants

Date February 4, 2014

O tempo para os arahants

“Deveríamos entender que tão logo o tempo perde seu significado, então, não há mais passado ou futuro, nem tão pouco eles continuam a ter significado. Assim, isto é conhecido como não tendo tempo. Instrumentos como relógios, por exemplo, são instrumentos para fixar o tempo, para dizer o tempo; as estações do ano, como a estação anual das chuvas, e o nascer do sol a cada dia são formas de fixar o tempo. Mas o tempo em si mesmo realmente é o intervalo entre o desejo ignorante e a aquisição do desejado. Desta forma, instrumentos para dizer o tempo apenas dizem, por exemplo, a hora para comer, mas para quem não tem desejo, para quem não tem tempo, como um arahant (libertos), isso não tem o mesmo significado” – Ajahn Buddhadasa