January 25, 2012
Por Aree Chaisatien, The Nation, 28 de setembro, 2006
Bangkok, Thailândia — Mais de setenta jovens de toda a Thailândia começaram em Surat Thani (província de Bangkok), nesta quinta-feira, uma caminhada ininterrupta de 750 quilômetros em prol do entendimento inter-religioso.
Eles partiram do monastério de Suan Mokkh, por ocasião do 13º. aniversário de cremação do reverenciado monge buddhista Buddhadasa Bhikkhu. A sua jornada se encerrará em Bangkok no Sathira Dhammasathan Meditation Centre (Centro de Meditação Sathira Dhammasathan).
A caminhada “Dhamma Khot Dhamma Yatra” atravessará nove províncias ao longo das praias do Golfo da Thailândia e objetiva propagar o Dhamma através da juventude, utilizando o poder da geração jovem em ajudar na solução dos problemas sociais.
É também uma forma de divulgar as três resoluções do falecido monge: compreender a própria religião, compreender as outras religiões e recusar o materialismo.
Cada jovem veste uma camiseta onde se pode ler “Dhamma Khot Dhamma Yatra” e carrega o “DhammaKote”, uma série de livros do monge sobre a essência do Buddhismo. Eles compartilham o que aprenderam com os amigos.
Sansanee Sthirasuta, a monja fundadora do Sathira Dhammasathan, afirma que os livros “DhammaKote” são como guias. “Em cada página que você os abre, conhecerá um pouco mais sobre o seu coração. E em cada lugar em que pararmos, pegaremos o livro, escolheremos um tópico e o compartilharemos com outras pessoas”.
Ela afirmou que a caminhada demonstra que o venerável monge não está morto, como ele anunciou certa vez ao afirmar que Buddhadasa (referindo-se ao ensinamento da essência do Buddhismo) não morreria.
Lalada Yiengyong, com 12 anos de idade, a mais jovem do grupo e proveniente da escola Krungtep Vited Suksa de Bangkok, declarou: “Eu me juntei ao grupo desejando compreender a mim mesma e aos outros. Gostaria de corrigir a mim mesma através da aprendizagem da convivência com as outras pessoas”.
Pirun Salae, com 23 anos de idade, um estudante muçulmano da Universidade de Suan Dusit Rajabhat afirmou: “A aprendizagem não está confinada necessariamente ao Islã somente”.
O itinerário dos jovens visitará o local de nascimento e a residência do falecido monge em Surat Thani e Wat Tapangjik, onde ele morou por quase uma década.
Eles caminharão através de Chumpon, Prachuap Khiri Khan, Pretchaburi, Samut Songkhram, Samut Sakhon e Nonthaburi até chegarem a Bangkok. Esta rota foi planejada por Rattapoom Youprom, famoso viajante que atravessou com seu caiaque as hidrovias do país durante 500 dias com o fim de encontrar a paz interior. Esta caminhada espiritual sustenta também este mesmo objetivo ao acolher as pessoas de outras religiões e compartilhar com elas os insights ao longo do caminho.
A caminhada faz parte das celebrações do centésimo aniversário de nascimento do Bhikkhu Buddhadasa.
© 2006 tradução de Fernando Domicildes, para a Comunidade Nalanda,
http://buddhadasa.nalanda.org.br
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January 25, 2012
By Aree Chaisatien, The Nation, September 28, 2006
Bangkok, Thailand — More than 70 youths from all over Thailand have started Thursday a 24-day, 750-kilometre walk for religious understanding from Surat Thani province to Bangkok.
They set off from Suan Mokkh monastery, the 13th anniversary of the cremation of revered Buddhist monk Buddhadasa Bhikkhu. Their journey will end at Sathira Dhammasathan Meditation Centre in the capital.
The “Dhamma Khot Dhamma Yatra” Walk passes through nine provinces along the shore of the Gulf of Thailand and aims to advertise dhamma through youth, using the power of the young generation to help solve social problems.
It is also a way of promoting the late monk’s three resolutions: to understand one’s own religion, to understand other religions and to shun materialism.
Each youngster wears a Tshirt labelled “Dhamma Khot Dhamma Yatra” and carries the “DhammaKote”, the monk’s series of books on the essence of Buddhism. They share what they have learned with friends.
Sansanee Sthirasuta, the nun who founded Sathira Dhammasathan, says the “DhammaKote” books are like guidebooks. “With every page you open, you’ll know more about your heart. And every place we stop, we’ll take the book out, pick a topic and share with others.”
She said the walk showed that the venerable monk was not dead as he once announced that Buddhadasa (referring to the teaching of the essence of Buddhism) would not die.
Lalada Yiengyong, 12, the youngest in the group and from Bangkok’s Krungtep Vited Suksa School, said: “I joined the group wishing to understand myself and others. I wish to correct myself by learning to live with others.”
Pirun Salae, 23, a Muslim student from Suan Dusit Rajabhat University, said: “Learning is not necessarily confined only to Islam.”
The youngsters’ itinerary will take in the late monk’s birthplace and home in Surat Thani and Wat Tapangjik, where he lived for nearly a decade.
They will walk through Chumpon, Prachuap Khiri Khan, Phetchaburi, Samut Songkhram, Samut Sakhon and Nonthaburi to Bangkok. The route was planned by Rattapoom Youprom, who famously travelled the country’s waterways by kayak for 500 days to find inner peace. This spiritual walk will embrace these goals by welcoming people of other faiths and sharing insights along the way.
The walk is part of the celebrations of the 100th anniversary of the birthday of Buddhadasa Bhikkhu.
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January 21, 2012
Buddha Cariya “O 100º Aniversário de Buddhadasa Bhikkhu”
Venerável Paisan Visalo
(Nota: o ano de 2006 marca o centenário de nascimento do recentemente falecido (1993) Venerável Buddhadasa Bhikkhu. Várias organizações, incluindo Buddhadasa Sukhsa Group, Sekiyadhamma Group e Wongsanit Ashram, serão anfitriãs de uma série de seminários focadas em textos que são obras-primas do Venerável Buddhadasa, chamados de “Dhammakosana Series”, contendo mais de 70 enormes volumes sobre o Buddhismo. Este artigo resume a preleção feita pelo Venerável Paisan Visalo no seminário sobre o texto Buddha Cariya, que faz parte da série).
Série de Preleções “O 100º Aniversário de Buddhadasa Bhikkhu”
Usualmente, o ensino do Dhamma é bastante abstrato. Embora seja muito útil, deixe-me lembrar, não nos esqueçamos do Dhamma na forma de história. Histórias, reais ou de ficção, podem inspirar as pessoas a fazer o bem ou a apreender alguma idéia prática. O ensino do Dhamma, quando muito abstrato, só pode comunicar em um nível intelectual. Ao contrário, quando exposto em forma de lendas ou histórias de vida, é poderoso, inspirador e comovente. Histórias também podem verbalizar o inexplicável. Conceitos como mente, natureza última, natureza humana, etc. podem vir a ser entendidos por meio de um processo de personificação.
O livro “Buddha Cariya” de Buddhadasa Bhikkhu, quer seja visto como lenda ou fato histórico, invariavelmente exerce influência, pois proporciona um modelo ou exemplo para ser seguido. Eu comecei a ler o Buddha Cariya alguns meses antes do 6 de outubro de 1976, data da revolta dos estudantes contra a ditadura e o massacre resultante. Embora eu tenha adotado o caminho buddhista da não-violência, fui pego entre uma rivalidade de ideologias esquerdistas e direitistas. Para a ala da esquerda, a não-violência só retarda a revolução, enquanto que a direita não é muito melhor em suas práticas contra o oponente.
Uma parte do livro fala sobre como o Buddha ganha o coração de seus adversários usando compaixão e não-violência. Isto me inspira. Normalmente, quando encontramos pessoas que pensam diferentemente, tendemos a vê-las como inimigas ou rivais. Além disso, se elas tentam nos desafiar, ficamos frustrados e bravos. Buddhadasa pôs uma forte ênfase no fato de que o Buddha nunca teve uma atitude hostil com qualquer um, inclusive aqueles que pretenderam prejudicá-lo.
Em minha própria experiência, fui tocado por muitas histórias. Uma certa história fala sobre quatro jovens meninas que competem em uma corrida. Duas corredoras tomam a liderança, deixando as outras duas para atrás. Uma das duas primeiras, acidentalmente tropeça. A outra menina, em vez de continuar, se vira e a ajuda. Ela poderia ter ganho, se continuasse correndo. Claro que uma das duas corredoras que vinham atrás delas ganha a corrida. Mas a menina que ajudou a amiga ganha o coração das pessoas. Ela percebe que ajudar o outro é mais importante do que a vitória, enquanto outros freqüentemente percebem da forma oposta. Pregar que ajudar os outros é bom, que compaixão e generosidade amorosa são boas, não é tão poderoso quanto histórias reveladoras. Histórias nos fazem sentir que o Dhamma é de fato uma questão diária.
Há 32 anos atrás, Buddhadasa começou a escrever a primeira parte de Buddha Cariya com uma pergunta: O que o Buddha queria dizer para as pessoas? O título “Buddha” tem três significados. Primeiramente, para o tolo ou não instruído, significa imagens de Buddha ou amuletos. Num nível mais elevado, o Buddha é um personagem histórico, o Príncipe Siddhattha Gotama. O terceiro nível é o Buddha em seu significado abstrato. Não se trata de uma pessoa, mas de atributos que fazem de uma pessoa um Buddha, a saber: sabedoria, compaixão e pureza. Sob este foco, Buddha não é algo distante. Qualquer ser humano, depois de cultivar estes atributos, pode se tornar um Buddha. O Buddha mesmo disse que, quem vê o Dhamma ou a Lei de Paticcasamuppada, vê o Buddha. Isto significa que o Dhamma é o Buddha, e também significa que o Buddha não está distante de nós, não é um homem que viveu 2500 antes de nós.
O que Buddha quer dizer ou nos indicar, de acordo com Buddhadasa, pode ser resumido em três aspectos:
Primeiramente, o Buddha é nosso amigo no samsara. Antes do Nibbana, ele era nosso amigo no samsara. Depois do Nibbana, ele ainda é um bom amigo mostrando-nos o caminho para Lokuttaradhamma.
Nós, pessoas normais que sempre nos vemos como um lótus submerso, não sabemos como podemos alcançar Lokuttaradhamma. O Buddha disse que todos têm um direito à iluminação. Histórias do tempo do Buddha ilustram sua palavra. Alguém que mata como Angulimala, que rouba como Khujjutra, que está em desespero extremo como Kisa Gotami, que é lerdo como Culapanthaka, que é avaro como o filho de Anathapindika, cada um deles tornou-se iluminado de uma certa forma: pessoas de todos os tipos, mesmo aquela que no tempo do Buddha cortou seu pescoço para cometer suicídio, mas que no último segundo atingiu a iluminação. Todas as histórias nos encorajam no sentido de que, com esforço e bons amigos, podemos ser iluminados também. Assim, no segundo aspecto, o Buddha é nosso guia.
Em terceiro lugar, ele é nosso professor. Ele sempre incita-nos a que prestemos atenção ao Dhamma. Uma vez ele expulsou 500 jovens monges que eram muito malcriados e ruidosos. Mas depois reintegrou-os de volta e os ensinou. Ele perguntou então o que Sariputra e Moggallana pensavam sobre sua ação. Sariputta disse que se o Buddha permanecesse indiferente sobre aquele assunto, ele também seria indiferente e só praticaria para a sua própria felicidade. Mas Moggallana disse que se o Buddha permanecesse indiferente, ele e Sariputta ajudariam compartilhando o seu fardo. Sua resposta foi apreciada.
É digno de nota que hoje em dia muitos monges adotem a atitude de laissez-faire (não intervenção), como Sariputta, quando problemas surgem. Mas o Buddha nunca concordou com tal postura. Ao contrário, ele encoraja que os seus seguidores empreendam em ação corretiva.
A próxima parte é o que o Buddha pensa de si mesmo. A principal idéia nesta parte do livro é de fato essa: O Buddha não é alguma coisa . Uma vez houve um brahmana que lhe perguntou o que ele era: ‘Você é uma deidade?’ – ‘Não’. ‘Você é um demônio?’ – ‘Não’. – ‘Você é um homem?’ – ‘Não’. – ‘Então, quem é você?’
Para resumir a resposta do Buddha: ele não é coisa alguma porque o seu kilesa que designaria uma deidade, um demônio ou um homem, foi extinto. E, ele diz, o brahmana podem chamar-lhe despreocupadamente como ‘o Buddha’.
Quase todo o mundo percebe a si mesmo como uma coisa ou outra. Uma vez que tal percepção surge, o nascimento (jati) acontece, seguido por decadência (jara), morte (marana) e sofrimento (dukkha). De fato, não é a percepção do ‘Eu’ somente, mas um apego surge juntamente com isto e que causa o sofrimento. Podemos dizer que o Buddha supera a questão da identidade porque não coloca valor em ser qualquer coisa, o que é mera verdade convencional e não uma verdade última.
O próximo ponto é a relação dele com os líderes de outras doutrinas (titthiya). O ensino do Buddha é simplesmente um dentre outros de numerosas escolas de doutrina de seu tempo. Hoje no Sião (Thailândia), a palavra titthiya (pronunciada em thailandês como dirati) é uma palavra suja que, em comparação, significa heresia ou pagão. Buddhadasa Bikkhu enfatiza que no tempo do Buddha a palavra não implicava em qualquer insulto ou discriminação. A atitude do Buddha com respeito a outros líderes religiosos nunca foi de afronta. Penso que seja importante estudar o modo pelo qual o Buddha relacionava-se com outras comunidades religiosas, isto é, sem qualquer hostilidade e nenhum tipo de agressão verbal quando dialogava com elas. Ele falava apenas sobre o que pensava e em que ponto havia diferenças. Um buddhista deveria aprender e seguir seu exemplo.
Em seguida, o livro examina o que o Buddha tenciona dizer ao se referir a ‘todos os seres’. Todos os seres aqui incluem árvores, florestas, animais, não-humanos e deidades. Buddhadasa afirma claramente aquela compaixão do Buddha como ilimitada, sem qualquer exceção.
Buddhadasa menciona que a história da vida do Buddha tem dois aspectos, isto é: o físico e o espiritual. De acordo com ele, a história ‘real’ da vida do Buddha cobre somente doze horas do tempo total. São doze horas, das 18:00h até às 04:00, antes de atingir Nibbana.
A maioria dos livros sobre a vida do Buddha foca em suas características físicas. Entretanto Buddhadasa mostra que aquilo que é mais crucial são, em oposição, as características espirituais, ou seja, a mente libertada, o vazio do ego ou sunyata. É óbvio que Buddhadasa tenta acentuar o lado abstrato. E a característica abstrata não se limita a qualquer pessoa em particular. Ou seja, quem quer que assimile tais características pode se tornar um Buddha. E tal característica também é conhecida como Buddha Gabha.
A próxima questão é o que o Buddha relata sobre seus parentes. O Buddha faz a colocação de que são quatro os tipos de parentes: parentes por sangue, por familiaridade, através de trabalho e por natureza. O último implica que nós somos parentes porque todos compartilhamos da natureza do nascimento, envelhecimento, decadência e morte.
O autor inclui uma história do rei Bimbisara. Quando o plano do príncipe Ajatasatru e do monge superior Devadata para assassinar o rei falha, o rei discute o assunto com os seus ministros. O primeiro grupo de ministros aconselha-o a executar o príncipe, o monge superior e seus seguidores. O segundo grupo sugere executar somente o príncipe e o monge superior. O terceiro grupo não sugere nenhuma execução. O que o rei ordena é destituir a nobreza do primeiro grupo, rebaixar o título do segundo grupo e promover o terceiro grupo. Isto é digno de nota. Pelo senso comum, o assassinato deve ser retribuído com a morte. Mas o rei já havia atingido um nível básico de iluminação, praticando o perdão e até mesmo puniu aqueles que o aconselharam sobre a sentença de morte. Sua resposta ilustra bem uma atitude buddhista com relação àqueles que tentam nos prejudicar.
Existe uma variedade de histórias que descrevem a relação do Buddha com as pessoas comuns. Uma pequena história conta sobre uma criança que quer dar alguma coisa ao Buddha. Não tendo nada, ele verte areia em sua tigela. O que o Buddha aceita.
Perto do fim do livro, Buddhadasa diz que o Buddha não é nada para nós. Suponho que ele diz isto para estremecer o nosso apego, e nos fazer entender a realidade. Ele argumenta que a idéia de ser esta ou aquela coisa reflete o apego. Uma vez que a mente é liberta ela se sentirá não sendo coisa alguma.
Há um sutta interessante que ilustra outra abordagem do Buddha. É o Jora Sutta (Sutta Ao Saquedor). Nele, o Buddha ensina que para saqueadores serem prósperos, eles não deveriam cometer nenhum dano àqueles que não possam reagir, que não cometam nenhum dano às mulheres e meninas, que não saqueiem os monásticos e o tesouro estatal, que não roubem tudo mas deixem alguma coisa para o dono, que não saqueiem dentro da própria vizinhança, que deveriam ser sábios nas economias e deveriam acumular um pouco de mérito. É notável como o Buddha emprega os meios hábeis ao ensinar os saqueadores. Se lhes dissesse para não roubar, eles não escutariam. Ao contrário, o conselho do Buddha é no sentido de reduzir a violência e ajudá-los indiretamente sugerindo, por exemplo, economizar, o que é mais aceitável para eles. O Buddha entende sua audiência, e sabe como aproximar-se dela.
Como, por nossa vez, poderíamos aplicar a metodologia do Buddha, por exemplo, ao lidar com corporações farmacêuticas multinacionais? Se desejarmos penetrar em seus corações, precisaremos penetrar em seu lado meritório. Se apenas as repreendermos, elas criarão uma parede contra nós. Deveríamos encorajá-las para que fizessem coisas boas como produzir medicamentos aos quais os pobres tenham acesso. Ao mesmo tempo, no caso em que há estímulo ao consumo desnecessário de medicamentos, precisamos criticá-las por suas táticas abusivas como o excesso de publicidade.
A algumas perguntas, o Buddha não responde. As perguntas feitas só por curiosidade, perguntas sobre metafísica, e perguntas que não são benéficas para a obtenção do Nibbana.
O caminho da Buddha é holístico. Ele vê a pessoa como um composto tríplice: corpo, coração e sabedoria. Para o corpo, ele ensina sila para relações e comportamento normais, inclusive consumo e estilo de vida. Para o coração, ele ensina qualidades do coração como compaixão, perdão, etc. que também manifestam-se em comportamento e relações. Para a sabedoria, ele dá muitos ensinamentos de Dhamma profundos como o trilakhana, etc.
No ensino do Buddhismo, professores ou monges podem enfatizar só um aspecto. Por exemplo, eles podem enfocar a meditação, mas ignorar a sabedoria, o consumo atento ou o estilo de vida simples. Ensinamentos buddhistas para um desenvolvimento completo e para seguir o exemplo do Buddha, devem ser do modo holístico entre a comunidade de bons amigos.
© 2006 tradução de Jorge Luiz Ricardo Furtado, para a Comunidade Nalanda,
http://buddhadasa.nalanda.org.br
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January 21, 2012
Buddha Cariya “The 100th Anniversary of Buddhadasa Bhikkhu”
Venerable Paisan Visalo
(Note: The year 2006 will be the centenary anniversary of The late Venerable Buddhadasa Bhikkhu. Many organizations, including the Buddhadasa Sukhsa Group, Sekiyadhamma group, Wongsanit Ashram, host a series of seminars on the Venerable’s masterpiece writings called “Dhammakosana Series”, containing more than 70 huge volumes on Buddhism. This paper summarizes the lecture by The Venerable Paisan Visalo in seminar on the Buddha Cariya, which is one of the series.)
Series of Lecture “The 100th Anniversary of Buddhadasa Bhikkhu”
Usually, dhamma teaching is quite abstract. Though it is very useful, may I remind, we should not forget the dhamma in forms of story. Stories, whether real or fiction, can inspire people to do good or to get some practical idea. Dhamma teaching, when too abstract, can communicate only at an intellectual level. On the contrary, when it comes in forms of legends or life stories, it is powerful, inspiring and impressive. Stories can also verbalize the inexplicable, concepts such as mind, nature, human nature, etc. can be understood through a process of personification.
Buddhadasa’s book “Buddha Cariya”, whether seen as a legend or historical fact, is always influential in that it provides a model or example to follow. I myself started reading Buddha Cariya a few months before the October 6th, 1976 student uprising against dictatorship and the resulting massacre. Although I adopted the Buddhist non-violent approach, I was caught between a rivalry of leftist and rightest ideologies. For the left wing, non-violence only delays the revolution, while the right is not much better in their practices against the opponent. Some part of the book talks about the Buddha who wins the heart of those with different ideas using compassion and non-violence. It inspires me. Normally, when we encounter people who think differently, we tend to see them as an enemy or rival. Moreover, if they attempt to challenge us, we get frustrated and angry. The late Buddhadasa put a strong emphasis that the Buddha never had a hostile attitude toward anyone, including those who intended to harm him.
In my own experience, I have been touched by many stories. One such story tells about four young girls competing in a race. Two runners take the lead leaving the other two behind. One of the first two accidentally stumbles. The other girl, instead of continuing, turns around and helps her. She could have won, if she went running on. Of course one of the two runners behind them wins the race. But the girl who helps her friend wins the heart of the people. She realizes that helping other is more important than victory, while others often perceive it the other way round. Preaching that helping other is good, that compassion and loving kindness is good, is not as powerful as telling stories. Stories make us feel that Dhamma is actually a daily matter.
Writing 32 years ago, Buddhadasa started the first part of Buddha Cariya with a question: What does the Buddha mean to people? The title “Buddha” has three meanings. Firstly, it means Buddha images or amulets, for the fool or the untrained. A step higher, the Buddha is a man in history, the Prince Siddhatha Gotama. The third level is the Buddha in its abstract meaning. It is not a person but rather attributes that make a person a Buddha, namely wisdom, compassion and purity. In this light, Buddha is not something remote. Any human being, after cultivating these attributes can become a Buddha. The Buddha himself said that, anyone who sees Dhamma or Paticcasamuppada, sees the Buddha. It means Dhamma is Buddha, and also means that the Buddha is not far from us, not the man who lives 2,500 years ahead of us.
What Buddha means or relates to us, according to Buddhadasa, can be summed up in three aspects:
Firstly, the Buddha is our friend in samsara. Before nibbana, he was our friend in samsara. After nibbaba he is still a good friend, showing us the way toward Lokuttaradhamma.
We normal people always see ourselves as “underwater lotus”, how can we reach Lokuttaradhamma. The Buddha said, everyone has a right to enlightenment. Stories in the Buddha’s time illustrate his word. The one who kills like Angulimala, who steals like Khujjutra, who is in extreme despair like Kisa Gotami, who is dull like Culapanthaka, who is greedy like Anathapindika’s son, all of them got enlightened at variety of levels. People of all kinds, even the one in the Buddha’s time who cut his own throat to commit suicide but in the last second could get enlightened. All stories encourage us that with effort and good friends, we, too, can be enlightened. So, the second aspect, the Buddha is our guide.
Thirdly, he is our teacher. He always urges us to pay attention to dhamma. He once expelled 500 young monks who were very naughty and noisy. But later he calls them back and teaches them. He then asks how Sariputra and Moggallana think of his action. Saribputra said, if the Buddha remains indifferent in this matter, he would also be indifferent, only practicing for his own happiness. But Moggallana said, if the Buddha remains indifferent, he and Sariputra will help sharing the Buddha’s burden. His answer is appreciated.
It is remarkable that nowadays many monks adopt the laissez-faire attitude like Sariputra when problems arise. But the Buddha has never agreed on such approach. Instead, he encourages his followers to take corrective actions.
The next part is what the Buddha means to himself. The main idea in this part of the book is that in fact, The Buddha is not any thing. Once there is a brahmin asking him who he is. Are you a deity, no. Are you a demon, no. Are you a man, no. Then, who are you?
To summarize The Buddha’s reply, he is not any thing because his kilesha that designates a deity, a demon or a man was all extinguished. And, he says, the brahmin can call him casually as “the Buddha.”
Almost everyone perceives oneself as something or another. Once such perception arises, birth (jati) occurs, followed by decay (jara), death (marana) and suffering (dukkha). In fact, it is not perception of “I” alone, but an attachment that comes along causes suffering. We can say that the Buddha overcomes the issue of identity because he does not attach to value to be anything, which is only conventional truth, not ultimate truth.
The next point is his relationship with other doctrine (titthiya) leaders. The Buddha’s teaching is simply one of numerous schools of doctrine in his time. Now in Siam, the word titthiya (pronounced in Thai as dirati) is a dirty word, which comparably means heresy or pagan. Buddhadasa emphasizes that in the time of the Buddha, the word does not imply any insult or discrimination. The Buddha’s attitude toward other religious leaders has never been adversarial. I think it is important to study the way that the Buddha relates himself to other faith communities, i.e. no hostility and no attacking response when engaging in dialogue. He only speaks of what he thinks and what the difference is. The Buddhist should learn and follow his example.
Then the book discusses on what the Buddha means to all beings. All beings here include trees, forest, animals, non-humans, and deities. Buddhadasa articulates that compassion of the Buddha is unlimited, without any exception.
Buddhadasa mentioned that the life story of the Buddha has two aspects, namely the physical and the spiritual. According to him, the “real” Buddha’s life story covers only 12 hours of time. It’s 12 hours, from 06:00 pm until 04:00 am, before attaining nibbana.
The majority of books on the life of the Buddha focus on his physical characteristics. While Buddhadasa points out that what is more crucial is instead the spiritual characteristics, that is the liberated mind or the void of self or sunyata. It is obvious that Buddhadasa tries to accentuate the abstract side. And the abstract characteristic has no limit to any particular person. That means, whoever assimilates such characteristics can become a Buddha. And that characteristic is also known as buddha gabha.
The next question is what the Buddha relates to his relatives. The Buddha puts that there are four kinds of relatives: relatives by blood, by familiarity, by work and by nature. The last one implies that we are relatives because all of us share the nature of birth, aging, decay and death.
The author includes a story of King Bimbisara. When Prince Ajatasatru and the chief monk Devadata’s plan of regicide fails, the king discusses the matter with his ministers. The first group of ministers advices him to execute the prince, the chief monk and the follower monks. The second group suggests to execute only the prince and the chief monk. The third group suggests no execution. What the king commands is to appropriate peerage of the first group, to demote the title of the second group and to promote the third group. It is remarkable. With common sense, the assassination must be paid with death. But the king, already attained a basic level of enlightenment, practices forgiveness and even punishes those who advise the death sentence. His response illustrates well a Buddhist attitude toward those who commit harm to us.
There are some miscellaneous stories that depict the relationship of the Buddha and the common people. One small story tells about a kid who wants to give alms to the Buddha. Having nothing, he pours sand into his bowl. This the Buddha allows.
At the end of the book, the Buddha is not anything to us, said Buddhadasa. I suppose he says this in order to shake us from attachment, and make us understand the reality. He argues that the idea of being this thing and that thing reflects attachment. Once the mind is liberated, it will feel not to be anything at all.
There is one interesting sutta that illustrates another approach of the Buddha. It’s Jora Sutta (teaching to the plunderer). Here the Buddha teaches that for plunderers to be prosperous, they should do no harm to those who cannot fight back, do no harm to women and girls, not plunder the ordained and state treasury, not rob completely but leave something to the owner, not plunder within one’s own vicinity, should be wise in savings and do some merit. It is remarkable that he employs the skillful means in teaching the plunderers. If he tells them to stop robbery, they would not listen. Instead, the Buddha’s advice is to reduce violence and to indirectly help them, e.g. by suggesting savings, which is more acceptable to them. The Buddha understands his audience, and knows how to approach them.
How could we apply his methodology in our time, e.g. in dealing with pharmaceutical transnational corporations? If we wish to enter their hearts, we need to get through their merit side. If we only reprimand them, they will create a wall against us. We should encourage them to do good things such as producing medicine the poor can afford. At the same time, in case of their abusive tactics such as excessive advertising to stimulate unnecessary consumption of medicine, we need to criticize them.
Some questions, the Buddha does not answer. The questions asked only out of curiosity, questions about metaphysics, and questions that are not beneficial to obtaining nibbana.
The Buddha’s approach is a holistic one. He sees a person as composed of threefold parts: body, heart and wisdom. For body, he teaches sila for normal relationships and behaviour, including consumption and lifestyle. For heart, he teaches quality of heart such as compassion, forgiveness, etc. which manifest also in behaviour and relationship. For wisdom, he gives many profound dhamma teachings such as trilakhana, etc.
In teaching Buddhism, teachers or monks may emphasize only one aspect. They may, for example, focus on meditation, but ignore wisdom, mindful consumption or simple lifestyle. Buddhist teachings for full development and to follow the example of the Buddha, must be in the holistic manner amid the community of good friends.
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December 21, 2011
Destinado à Felicidade
Texto e fotos de Colin Hinshelwood, Bangkok Post, 27 de maio de 2006
27 de maio marca o centenário do nascimento do falecido Buddhadasa Bhikku cujos ensinamentos inovadores deixaram uma herança reformista para o Buddhismo Theravada da Thailândia.
Suan Mokkh, Thailândia — Quando Sarah Medway, uma artista inglesa de 50 anos de idade, leu a programação para os próximos 10 dias, ela ficou nervosa.
<< Retirantes contemplam a vida
“Eu queria sair imediatamente. Quase não consegui passar pelo balcão de registro”, ela confessou. “Eu acabara de passar por uma transição difícil na minha vida e meu filho recomendou-me que eu fizesse isso. Ele me disse que simplesmente não era mais eu mesma”.
No terceiro dia, Sarah estava pronta para desistir. Ela mergulhou fundo dentro de si mesma e, na manhã seguinte, sentiu uma onda de calma e se adaptou à rotina estrita. No sétimo dia, ela chorou de desespero, mas nos últimos poucos dias, ela sentiu seu espírito nascendo de novo.
“É uma montanha-russa emocional”, concordou Matthew Carter, um instrutor de ginástica da África do Sul que tinha acabado de completar seu quarto retiro no monastério Suan Mokkh. “Mas isto limpa a sua alma”.
Wat Suan Mokkh está bucolicamente situado dentro de uma floresta em Chaiya, no sul da Thailândia. O monastério de floresta foi fundado em 1932 por um dos mais reverenciados monges da Thailândia, o Venerável Buddhadasa Bhikku (literalmente “Servo do Buddha”). Ele fundou o centro como um santuário para aqueles que quisessem praticar Vipassana (meditação do insight – visão clara).
“Minha verdadeira natureza era aquela de um monge da floresta”, escreveu Buddhadasa em 1943 e, pelos 50 anos seguintes, ele devotou sua vida a espalhar a palavra sobre o dharma (natureza) e encorajar Anapanasati (vigilância por meio da respiração) entre seus seguidores. Tal foi sua busca pela paz no mundo que Buddhadasa começou a convidar visitantes de diferentes religiões para seu retiro silvestre, esperando que eles levassem a mensagem de volta para suas casas.
Wat Suan Mokkh e a Sala de Meditação >>
Buddhadasa faleceu em 1993, mas seu legado vive em Wat Suan Mokkh. Gerenciado por devotos buddhistas e voluntários laicos, o monastério organiza mensalmente retiros para estrangeiros que desejam aprender Anapanasati e explorar a si mesmos.
As inscrições são feitas no último dia de cada mês (Wat Suan Mokkh não cancelou ou adiou nenhum retiro nos seus últimos 15 anos). Os dormitórios podem abrigar até 60 homens e 60 mulheres. As acomodações são espartanas: uma cela de concreto de 3 por 4 metros tem uma cama de alvenaria e uma esteira de palha. Espera-se que os retirantes imitem a rotina do próprio Siddhartha Gautama incluindo o mínimo de sono, andar descalços, comer somente pela manhã e dormir num travesseiro de madeira.
A Resposta Está Debaixo do Seu Nariz
Qualquer um que respire pode praticar a meditação Anapanasati. Ela não requer despesa, equipamento e nenhum planejamento. É boa para sua saúde e não tem efeitos colaterais.
As instruções para um iniciante são simples: sinta sua respiração entrando em suas narinas; siga-a até seu umbigo; sinta-a voltando para fora através de seu nariz; não pense em mais nada.
Ainda assim, é uma busca que poucos e preciosos mortais podem arrogar ter conseguido em uma só vida.
Aconselha-se que você comece sentando confortavelmente com a coluna ereta (o “lótus completo” e outras posições de yoga são puramente para aparecer). Tenha os olhos semicerrados e olhe para baixo em direção à ponta de seu nariz. Então, faça algumas respirações profundas. Siga sua respiração enquanto ela entra e sai. Na medida em que os pensamentos entram na sua mente, deixe-os passar. Retorne à respiração. Depois de um tempo, suas pernas, suas costas, seu pescoço ou todos os três começarão a doer. Ignore a dor. Volte à respiração. Continue focalizando na respiração até alcançar um estado de calma. Dissipe os pensamentos. Observe somente sua própria respiração. Ouça os sons à sua volta, mas não os analise. Inspire. Expire. Continue pelo tempo que você conseguir.
<< Jovem meditante trabalhando pesado
Se você perseverar, começará a experimentar uma sensação de formigamento na sua garganta como pequenos elfos dançando em sua laringe. Na medida em que a respiração se torna mais definida, você deve ser capaz de trocar seu foco para exatamente abaixo do seu nariz e, em vez de vigiar sua respiração, observe-a somente quando entra e sai de suas narinas.
Com prática contínua o meditante aprendiz deveria ser capaz de avançar para o segundo estágio ou para a Segunda Tétrade: um estado de entusiasmo. Os devotos mais experientes visam a Terceira Tétrade: a habilidade de observar ou examinar a mente. A Quarta Tétrade envolve a contemplação da impermanência de tudo, um estado tão avançado que talvez só os verdadeiramente “iluminados”, tais como o Buddha, podem possivelmente alcançá-lo.
Seria maravilhosamente fácil se não fosse por causa da mente, a qual continuamente divaga de volta ao passado, projeta-se para o futuro, incomodando você com lembranças, idéias e fantasias. Você luta para descarregar os filmes que passam na sua mente. Você batalha com emoções e frustrações. Sua vida não só passa pelos seus olhos como gruda e recorre. Você tenta desesperadamente e em vão ficar “no agora”.
Até se espera que você esteja vigilante enquanto está lavando e comendo. Você observa sua respiração enquanto está fazendo suas tarefas rotineiras. Cada retirante se compromete em ajudar na manutenção do monastério. As tarefas incluem rastelar as folhas, polir as tigelas e limpar os banheiros. Tudo isso cria uma cena ligeiramente surreal – a visão de uma dúzia de “farangs” (estrangeiros) trabalhando ao sol do meio dia, rastelando folhas para trás e para frente no ritmo de suas próprias respirações.
O programa diário no monastério da floresta é propositalmente talhado para encorajar a “vigilância”. Impossibilitados de dividir suas emoções uns com os outros, os retirantes são forçados a trabalhar internamente. Isso não é uma experiência de vínculo e a camaradagem é desencorajada. As regras de abstinência e a dieta vegetariana frugal garantem que o corpo esteja limpo e a respiração mais fácil de se seguir. A yoga matinal ajuda a soltar a tensão das nucas e ombros e permite maior flexibilidade enquanto se está sentado na mesma posição por horas a fim. Não existe televisão, nem rádio, nem celulares tocando, nenhum contato com o mundo externo. As distrações estão todas na mente.
Se você não tem tempo para meditar todo dia, você não tem tempo para NÃO meditar.
Tan Ajahn Dhammavidu emerge da floresta como uma miragem, seu manto cor de açafrão contrasta com o verde das árvores no fundo. Vagarosamente, ele circula o lago de lótus e vem para a sala de meditação ao ar livre onde 100 meditantes “farangs” estão silenciosamente trabalhando, respirando. O monge tira suas sandálias e sombrinha e se inclina face a parte frontal da sala de meditação. Serenamente tomando assento num pequeno púlpito com um microfone, ele bate de leve um pequeno sino três vezes para acordar os alunos de seus devaneios.
Acomodações básicas >>
Sábio, porém humilde e secamente divertido, Tan Ajahn Dhammavidu oferece a palestra diária sobre os princípios buddhistas e a prática de Anapanasati.
O monge pode perspicazmente simpatizar com as frustrações dos meditantes noviços. Ele nasceu há 50 anos na Inglaterra e, como músico e artista, passou os anos 60 e 70 vivendo um estilo de vida hippie na Índia antes de se tornar um monge buddhista Theravada nos meados de 1980. Tan Ajahn Dhammavidu diz que não se arrepende e nem sente falta do “mundo real”.
“A vida é sofrimento”, diz, apesar de que um sorriso irônico no rosto sugere que ele está bem feliz com sua porção. Recontando casos de seu passado travesso, o monge inglês mantém sua audiência compenetrada, um alívio bem-vindo para os que estão lidando com suas próprias almas problemáticas.
Com uma virada de ironia, Tan Ajahn Dhammavidu amarra sua narração relacionando-a aos ensinamentos do Buddha. Os Cinco Obstáculos para a efetiva meditação – desejo, agitação, preguiça, má-vontade e dúvida – são justapostos à analogia de se comer uma pizza enquanto dopado por haxixe numa hospedaria em Bengala. Cabeças balançam em apreciação. Ele deixa muita coisa sem dizer, mas sua mensagem é sempre clara: escolha o Caminho do Meio; não se engane; fique atento a tudo.
Os sinos tocam novamente para mais uma hora de meditação caminhando. Silenciosa e atentamente, os sábios andam devagar como zumbis em volta das terras do monastério. No nono dia, pede-se que os alunos devotem o dia inteiro à prática de meditação. Não há almoço neste dia, só o desjejum. Não haverá cânticos, nem yoga. As poucas distrações que poderiam existir são removidas e os meditantes lutam para atingir o nível mais alto que puderem.
Como o retiro caminha para um final, os membros sobreviventes refletem sobre o que provavelmente foi o mais longo dos 10 ou 12 dias de suas vidas:
“Eu tenho muito respeito pelo Buddhismo, mais ainda depois do retiro”, reflete Sarah. “Acredito que Buddha descobriu a física quântica a 2.500 anos atrás”.
“Definitivamente vale a pena fazê-lo ao menos uma vez na vida” divagou Márcio Assis, 27 anos, do Brasil. “O travesseiro de madeira foi duro; sopa de arroz para o desjejum todos os dias foi duro; acordar às 4 da manhã foi duro. Mas, no final, senti uma atitude mental muito mais positiva. É uma oportunidade de deixar para trás o mundo capitalista e olhar para dentro”.
“Considerando que eu estava aqui para pensar sobre nada, eu nunca pensei tanto em minha vida”, confessa Andréa, uma aluna alemã.
Como muitos outros, Andréa foi recomendada a ir ao Wat Suan Mokkh por um amigo e veio para “purgar os demônios” depois de término traumático com seu namorado. No final do curso ela sentiu que tinha finalmente fechado um capítulo em sua vida, mas não sem angústia e o derramamento de muitas lágrimas.
Um para subir, Scotty!
Se você já visitou um dos grandes lugares sagrados do Buddhismo, tais como Lumbini no Nepal, o lugar de nascimento do Buddha, você já deve ter notado a maneira descuidada com que muitos habitantes abordam os locais turísticos. Famílias indianas correm espalhando amendoins, tirando fotos, rindo. O Buddhista ocidental convertido, por outro lado, tende a querer dar esse passo além com austeridade. Ele se sentará debaixo de uma árvore, diante de centenas de tolos e risonhos turistas, e meditará desesperadamente, sem dúvida desejando alcançar um plano mais alto e, de preferência, antes do templo fechar para o dia.
Outros preferem tomar alucinógenos ou fumar maconha antes de descer para um dia duro de meditação. Você os encontrarão nas praias da Thailândia ou de Goa. Eles param a cada cinco minutos para mais uma dose.
Depois de incontáveis retiros e milhares de turistas e desejosos de ser buddhistas, Reinhard Holscher, um dos coordenadores do programa, é cético quanto ao que chama de “Coelhinhos da Felicidade”.
“A meditação é um trabalho para toda a vida”, ele diz. “Iniciantes não podem alcançar nenhum estado avançado em apenas 10 ou 12 dias”.
É aí que jaz o conflito na mente ocidental. Enquanto muitos orientais parecem nascer com um senso natural de habilidade para a meditação, o impaciente e caprichoso ocidental tende a achar que todo o processo é apenas uma tarefa impossível de ser realizada.
“Queremos a Iluminação agora, ou estouraremos nossos miolos tentando!” ele diz.
O fato verdadeiro é que somente uma vida ascética é condutiva a uma meditação bem sucedida. Álcool e drogas simplesmente não adiantam. É uma busca pessoal, não há competições ou Campeonatos Mundiais de Meditação. É um assunto pessoal entre você e sua alma.
Apesar dos sinais de aviso, mais de 120 ocidentais fazem suas malas e entram no monastério em busca da Iluminação todos os meses – os jovens e os incansáveis, os militantes buddhistas e os renascidos curiosos, uns escravos da rotina, outros em encruzilhadas, outros em becos sem saída, alguns procurando por respostas, alguns olhando para algum lugar dentro, outros para algum lugar fora, os atormentados, os confusos, românticos, viciados, rebanhos e um sortimento de almas perdidas.
Dos 96 que apareceram para o programa de 11 dias em abril de 1996, apenas 67 completaram o curso – tal é o tormento psicológico que muitos têm que agüentar.
“A maioria dos que saem fora são jovens e não têm a menor idéia do que esperar”, Reinhard diz.
Outros não conseguem ter o suficiente. Andy é um jardineiro da Alemanha e já veio a 20 retiros em Wat Suan Mokkh. Depois do 11o dia de cada curso, ele se muda para o outro lado da estrada para o monastério principal por duas semanas “para colher os resultados”.
Completando o retiro, os alunos são bem-vindos a ficar no monastério principal se quiserem mais tempo para praticar meditação num ambiente silvestre ou se eles não se sentirem prontos para voltar para o mundo exterior.
Fundamentalmente você volta para o espaço selvagem, para o tráfego barulhento, luzes brilhantes e a comoção da vida do dia a dia. Mas enquanto pega uma carona de volta para Surat Thani na traseira de um caminhão, você sente um novo começo, uma estranha sensação de que sua vida está de alguma forma mais aberta do que você poderia imaginar antes. Seus sentidos estão mais claros: você pode sentir o cheiro da grama e das árvores, você pode sentir a brisa solta nos seus cabelos como nunca sentiu antes. Você encara milhares de pessoas na rua e simpatiza com cada uma delas. Você “nasceu de novo”. O mundo é agora a sua ostra.
Com uma súbita explosão de alegria você grita para o ar: “Carpe Diem!” E, talvez, pela primeira vez na sua vida, você verdadeiramente diz isso pra valer.
Os retiros de meditação do Wat Suan Mokkh (em inglês) são realizados do 1o ao 11o dia de cada mês. Inscrição: Um dia antes que o retiro comece. Custo: 1500 baht para alimentação e acomodação Retiros em língua thai são realizados do 19o ao 27o todo mês. Contato: The Dhammadana Foundation, c/o Suan Mokkhabalarama, Chaiya, Surat Thani, Thailand, 84110. Telephone/fax: 07-743-1597. Web site: www.suanmokkh.org/. Suan Mokkh está situado na Highway 41, perto de Chaya, 50 km. Ao norte de Surat Thani. Trens e ônibus: use a principal linha de trem ou rodovia entre Surat Thani e Bangkok. Aeroporto mais perto: Surat Thani
Retiro de meditação:
- 4h.: acordar, banhar-se, meditar, yoga.
- 7:30h.: desjejum, tarefas, palestra do dharma, meditação, meditação caminhando, meditação.
- 12:30h.: almoço (última refeição do dia), tarefas, meditação, meditação caminhando, meditação, cânticos.
- 18h:. xícara de chá, banho quente nas termas, meditação.
- 21h:. Cama
Não ler, não escrever, não fumar, não beber, nenhum pensamento ou atividade sexual, não conversar.
© 2006 tradução de Ana Carmen Castelo Branco, para a Comunidade Nalanda,
http://buddhadasa.nalanda.org.br
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December 21, 2011
Bound for bliss
Story and photos by Colin Hinshelwood, Bangkok Post, May 27, 2006
May 27 marks the centenary of the birth of the late Buddhadasa Bhikkhu, whose innovative teachings left a reformist legacy for Thailand’s Theravada Buddhism.
Suan Mokh, Thailand — When Sarah Medway, a 50-year-old artist from England, first read the schedule for the next 10 days, she was nervous.
<< Retreatants contemplate life
“I wanted to leave right there and then. I almost didn’t get past the registration desk,” she confessed. “I had been going through a difficult transition time in my life and my son recommended me to do this. He said I just wasn’t myself.”
By the third day Sarah was ready to quit. She dug deep inside herself and by the following morning she felt a wave of calm and adapted to the strict routine. On Day Seven she cried with despair, but on the last few days she felt her spirits rise again.
“It’s an emotional roller coaster,” agreed Matthew Carter, a South African fitness instructor who had just completed his fourth retreat at Suan Mokkh monastery. “But it cleanses your soul.”
Wat Suan Mokkh is idyllically set within a forest in Chaiya, in the south of Thailand. The forest monastery was founded in 1932 by one of Thailand’s most revered monks, the Venerable Buddhadasa Bhikku (literally “Slave of the Buddha”). He established the centre as a sanctuary for those who wished to practise Vipassana (insight meditation).
“My true nature was that of a forest monk,” wrote Buddhadasa in 1943 and, for the next 50 years, he devoted his life to spreading the word about dharma (nature) and encouraging Anapanasati (mindfulness of breathing) among his followers. Such was his quest for peace in the world that Buddhadasa began inviting visitors of different religions to his sylvan retreat, hoping that they would take the message back to their homelands.
Wat Suan Mokkh and the Meditation Hall >>
Buddhadasa passed away in 1993, but his legacy lives on at Wat Suan Mokkh. Staffed by Buddhist devotees and lay volunteers, the monastery holds monthly retreats for foreigners who wish to learn Anapanasati and explore themselves.
Enrolment is on the last day of each calendar month (Wat Suan Mokkh has not had to cancel or postpone a single retreat in the last 15 years). Dormitories can house up to 60 men and 60 women. Accommodation is spartan: A concrete cell 3-by-4m contains a concrete bed and a straw mat. Retreatants are expected to emulate the routine of Siddhartha Gautama himself, including minimal sleep, walking barefoot, eating only in the morning and sleeping on a wooden pillow.
The answer is right Under your nose
Anyone who breathes can practise Anapanasati meditation. It requires no expense, no equipment and no planning. It’s good for your health and has no ill side effects.
The instructions for a beginner are simple: Feel your breath entering your nostrils; follow the breath to your navel; feel the breath going back out through your nose; think of nothing else.
Yet this is a pursuit that precious few mortals can boast to have mastered in one lifetime.
You are advised to begin by sitting comfortably with a straight back (the “full lotus” and other yogic positions are purely for show). Half-close your eyes and look downwards toward the tip of your nose. Then take a few deep breaths. Follow your breath as it comes in and goes out. As thoughts enter your mind, let them pass through. Go back to the breath. After a while your legs, your back, your neck or all three will start to ache. Ignore the pain. Return to the breath. Continue focusing on the breath until you reach a state of calm. Dispel thought. Observe only your own breath. Hear the sounds around you but do not analyse them. Breathe in. Breathe out. Continue for as long as you can.
<< Young meditator hard at work
If you persevere you will start to experience a tingling sensation in the throat, like little elves dancing on your larynx. As the breath becomes more defined, you should be able to shift your focus to just below your nose and instead of stalking your breath, you observe it just as it enters and exits the nostrils.
With sustained practice the student meditator should be able to advance to the second stage, or the Second Tetrad: a state of rapture. More experienced devotees aim for the Third Tetrad, the ability to observe or examine the mind. The Fourth Tetrad involves contemplating the impermanence of everything, a state so advanced that perhaps only the truly “enlightened”, such as the Buddha, can possibly attain it.
It would be blissfully easy if it weren’t for the mind, which is continually wandering back to the past, projecting itself out in the future, pestering you with memories, ideas and fantasies. You struggle to flush the motion pictures from your mind. You battle with emotions and frustration. Your life doesn’t so much as flash before your eyes as linger and recur. You try desperately and in vain to stay “in the now”.
You are even expected to stay “mindful” while you are washing and eating. You observe your breathing while you are doing your chores. Each retreatant undertakes to help with the upkeep of the monastery. Chores include raking leaves, scrubbing pots and cleaning toilets. It all makes for a slightly surreal scene – the sight of a dozen farangs working in the midday sun, raking leaves back and forth to the rhythm of their own breathing.
The austere daily schedule at the forest monastery is purposefully tailored to encourage “mindfulness”. Unable to share their emotions with each other, the retreatants are forced to work internally. This is not a bonding experience and camaraderie is frowned upon. The rules of abstinence and the frugal vegetarian diet ensure the body is cleansed and the breath easier to follow. Morning yoga helps loosen tense necks and shoulders and allows for greater flexibility while sitting in the same position for hours upon end. There is no TV, no radio, no mobile phones ringing, no contact with the outside world. The distractions are all in the mind.
If you don’t have time to meditate each day, you don’t have time NOT to meditate
Tan Acharn Dhammavidu emerges from the forest like a mirage, his saffron robes conspicuous against the trees in the background. Slowly, he circles the lotus pond and comes to the open-air meditation hall where 100 farang meditators are silently at work, breathing. The monk sheds his sandals and parasol and bows facing the front of the meditation hall. Serenely taking a seat on a low pulpit with a microphone, he taps a small bell three times to gently awaken the students from their reveries.
Basic accommodation >>
Wise yet humble and dryly amusing, Tan Acharn Dhammavidu offers the day’s talk on Buddhist principles and the practice of Anapanasati.
The monk can acutely empathise with the frustrations of the novice meditators: He was born over 50 years ago in England and, as a musician and artist, he spent the ’60s and ’70s living a hippy lifestyle in India before becoming a Theravadan Buddhist monk in the mid-1980s. Tan Acharn Dhammavidu says he has no regrets and doesn’t miss the “real world”.
“Life is suffering,” he says, though the wry grin on his face suggests he is quite happy with his lot. Recounting tales from his mischievous past, the British monk keeps his audience transfixed, a welcome relief from dealing with their own troubled souls.
With a twist of irony Tan Acharn Dhammavidu ties his parable together by relating it to the Buddha’s teachings. The Five Hindrances to effective meditation – desire, restlessness, sloth, ill will and doubt – are juxtaposed to the analogy of eating a pizza while stoned on hashish in a guesthouse in Bengal. Heads nod in appreciation. He leaves much unsaid, but his message is always clear: Choose the Middle Path; don’t fool yourself; be mindful of everything.
The bell chimes again and it’s time for an hour’s walking meditation. Silently and mindfully, the wizened ones pace slowly like zombies around the monastic grounds. On Day Nine, the students are asked to devote the entire day to meditation practice. There is no lunch that day, only breakfast. There will be no chanting, no yoga. The few distractions that may have been in place are removed and meditators strive to achieve the highest state they can.
As the retreat draws to a close, the surviving members reflect on what was often the longest 10 or 12 days of their lives.
“I have great respect for Buddhism, more so after the retreat,” reflects Sarah. “I believe that Buddha discovered quantum physics some 2,500 years ago.”
“It is definitely worthwhile to do it at least once in life,” mused Marcio Assis, 27, from Brazil. “The wooden pillow was tough; the rice soup for breakfast every day was tough; getting up at 4am was tough. But in the end, I feel a much more positive mental attitude. It’s an opportunity to leave behind the capitalist world and look within.”
“Considering I was here to think about nothing, I’ve never thought so much in my life,” confessed Andrea, a German student.
Like many others, Andrea had been recommended to Wat Suan Mokkh by a friend and had come to “purge the demons” after a traumatic break-up with her boyfriend. By the end of the course she felt she had finally closed a chapter in her life, but not without some distress and the shedding of many tears.
Beam me up, Scotty!
If you have ever visited one of the great Buddhist holy places, such as Lumbini in Nepal, the birthplace of the Buddha, you will have noticed the nonchalant manner in which many locals approach the tourist site. Indian families will run around scattering peanut shells, taking photographs, having a laugh. The converted Western Buddhist, on the other hand, tends to want to go that step further in austerity. He will sit under a tree, in full view of hundreds of giggling tourists, and meditate desperately, no doubt hoping to get beamed up to a higher plane and preferably before the temple closes for the day.
Others prefer to take hallucinogenics or smoke marijuana before getting down to a hard day’s meditation. You’ll find them on the beaches of Thailand or Goa. They’ll stop every five minutes for another bong hit.
After countless retreats and thousands of tourists and Buddhist wannabes, Reinhard Holscher, one of the programme’s coordinators, is dismissive of what he calls “Bliss Bunnies”.
“Meditation is a lifetime’s work,” he said. “Beginners cannot reach any advanced state in just 10 or 11 days.”
Therein lies the conflict within the Western mind. Whereas a great many Orientals seem to be born with a natural sense of meditative ability, the impatient and capricious Occidental tends to find the whole process a mind-blowing task.
“We want Enlightenment now, or we’ll bust our guts trying!” he screamed.
The straightforward fact is that only an ascetic lifestyle is conducive to successful meditation. Alcohol and drugs simply don’t wash. It’s a personal quest; there’s no competitions or Meditation World Championships. It’s a private matter between you and your soul.
Despite the warning signs, up to 120 Westerners pack their suitcases and flock to the monastery in search of Enlightenment every month – the young and the restless, the militant Buddhist and the born-again curious, those in ruts, those at crossroads, those at dead-ends, some looking for answers, some looking for a way in, others a way out, the tormented, the jilted, the confused, romantics, addicts, flakes and an assortment of lost souls.
Of the 96 who turned up for the 11-day programme in April 2006, only 67 completed the course – such is the psychological torment that many endure.
“Most of those who drop out are young and have no idea what to expect,” Reinhard said.
Others cannot get enough. Andy is a gardener from Germany and has been to 20 retreats at Wat Suan Mokkh. After the 11th day of each course he moves across the road to the main monastery for a couple of weeks “to harvest the results”.
On completing the retreat, students are welcome to stay on at the main monastery if they would like more time to practise meditation in a pastoral setting or if they are not yet ready to go back to the outside world.
Ultimately you are released back into the wild, to the screeching traffic, bright lights and commotion of everyday life. But as you ride back into Surat Thani on the back of a pick-up truck you feel a new beginning, a strange sensation that your life is somewhat more open-ended than you had previously imagined. Your senses are heightened: You can smell the grass and the trees, you can feel the breeze in your hair like never before. You stare at the thousands of people in the street and you empathise with each of them. You are “born again”. The world is now your oyster.
With a sudden burst of joy you scream into the air: “Carpe diem!” And, for perhaps the first time in your life, you truly mean it.
Wat Suan Mokkh’s meditation retreats (in English) are held from the 1st to the 11th of every month. Registration: One day before retreat begins. Cost: 1,500 baht for food and accommodation. Thai-language retreats are held from the 19th to the 27th of every month. Contact: The Dhammadana Foundation, c/o Suan Mokkhabalarama, Chaiya, Surat Thani, Thailand, 84110. Telephone/fax: 07-743-1597. Web site: www.suanmokkh.org/. Suan Mokkh is located on Highway 41, near Chaiya, 50km north of Surat Thani. Trains/ buses: Use main railway line/highway between Surat Thani and Bangkok. Nearest airport: Surat Thani.
Meditation retreat
- 4am: Wake up; bathe; meditate; yoga
- 7:30am: Breakfast; chores; dharma lecture; meditate; walking meditation; meditate
- 12:30pm: Lunch (last meal of the day); chores; meditate; walking meditation; meditate; chanting
- 6 pm: Cup of tea; hot spring; meditate
- 9 pm: Go to bed
No reading. No writing. No smoking. No drinking. No sexual thoughts or activities. No talking.
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December 13, 2011
Buddhadasa Bhikkhu 100 YEARS ON
Story by Vasana Chinvarakorn, Bangkok Post, May 28, 2006
The work of the monk who built Suan Mokkh continues
Suan Mokh, Thailand — The fine, greyish-white powder hung briefly in the air before descending into the cooling stream below. Thus were the ashes of Buddhadasa Bhikkhu returned to the embrace of mother nature, as he had specifically dictated in his will.

Thirteen years later, the spot remains as unassuming as ever. Buried deep in the jungle, the area is unmarked. There are no signs, no ostentatious display to indicate that it once played host to an historic event. Trees continue to grow and die, and in their places, new shoots spring forth. Wild elephants and other creatures still roam the National Park of Khao Sok, the origin of the Tapee River that serves the entire province of Surat Thani.
Buddhadasa chose this pristine forest as one of the three landmarks where his ashes were to be sprinkled. The other two, Khao Prasong and just off Koh Samui in the Ang Thong National Marine Park, are also located along or near the southern coast of Chaiya, his hometown.
What could have passed through the monk’s mind as he made the request, a couple of months before his final departure? What could his disciples be thinking of as they trudged up the steep hills, or ventured out into the vast sea, to bid a last farewell to their teacher, one who chose to call himself the “servant of Buddha”?
“My coffin is the good deeds I have done in this world through propagating dharma; The graveyard for me is the rightful things I have done for the benefit of fellow humans; I would like to invite you all to follow the same rule: That our coffins are the good deeds we have done for the world; That our graveyards are the rightful things we have done for the benefit of our fellow humans.”
With simple, but unwavering conviction, Buddhadasa spent 67 years in the robe following that very axiom. He built Suan Mokkh from scratch, the forest monastery now renowned for its meditation retreats by both Thais and foreigners. His numerous works have been studied, translated and reprinted probably more than any other Thai writer. His attempts at inter-faith dialogues have been commended as visionary; his warning of the danger of materialism as being far-sighted. And Buddhadasa’s repeated urging to other Buddhists to seek the essence of their own religion has proved as relevant as ever to the present society.
Claiming no supernatural prowess, the late monk has been continuously revered far and wide. This year will see a wide range of activities to celebrate the centenary of his birth yesterday. Buddhadasa’s name is already on Unesco’s shortlist of people who have made lasting contributions to the world. Lectures are being held, more books, both about and by him are being published, statues sculpted, commemorative stamps issued and visits made to the places known to have been tied to the reformist monk.
Make one such “pilgrimage” and one can see the transience of life, though. The house where little Ngerm (Buddhadasa’s lay name) was born has long since been sold and rebuilt. The house he grew up in now belongs to a distant relative, and only the upper floor still retains its original structure, dating back almost a century.
The same happened to his old school. For a while it was turned into a government office; now it is empty, run-down and counting its days. The temple where he was ordained has long been abandoned; only the main hall survives. The old Suan Mokkh, about 14km away from the present one, has shrunk by almost one-third of its original size. Some villagers have encroached on the land, turning part of it into shrimp ponds. At least a huge, ancient yang tree has been spared: It was reportedly here that Buddhadasa once greeted an acting Supreme Patriarch, one of the few senior monks who expressly lent support to the progressive-minded monk.
Where can one find the true spirit of Buddhadasa? What did he mean when he said, often in his later years, that “Buddhadasa still lives on, never to die”?
Surprisingly, Suan Mokkh has escaped largely unscathed over the years. It is as if the forest monastery has been trapped in a time capsule. Stepping through the main gate, where no cars are allowed, one leaves behind the bustling world of commerce, the rat race and the daily foibles of modern life.
Here the calm, resonant voice of Buddhadasa, on his dharma cassettes, can still be heard, played to an assembly of monks and lay people congregating in the crescent-shaped stone court. The intricately carved Avalokiteshvara statue stands undisturbed, amid other Indian-style stone sculptures Buddhadasa had made, following his visit there in 1955. The Spiritual Entertainment Hall, an innovation of his, maintains its collection of enigmatic Zen and other paintings imbued with spiritual messages. Also undisturbed are the “Beauty Queen” pavilion, that boasts three skeletons of a former pageant winner, a man and a child, and the Phutthong Hill with its unique open-air hall where “trees serve as walls, the earth as tiles and the sky as a roof”.
An effort has been made to keep the founder’s initiatives as they would have appeared decades ago. The lone coconut tree, on the islet in the famous Nalike pond, is one such example. Phra Singthong Khemiko, Buddhadasa’s close aide, said the present tree was planted in place of its predecessors which had duly reached their time and died. In the well-known lullaby that inspired Buddhadasa to have the pond dug, the singular coconut can stay aloof, free from the “rains and thunders”, the ups and downs of life. The tree is thus a symbol of nirvana, the land of no death. To actually reach the shore of liberation is another matter.
On another plane of being, the ability of the current administration at Suan Mokkh to adapt to new contexts is worth exploring. Phra Singthong said Acharn Pho, the abbot, is remarkable for his modest demeanour. He continues to lead a frugal life in pursuit of his master’s “lowly living, noble doing” maxim. Offers of money and other valuables by the devout have been steadfastly spurned. Since Buddhadasa’s passing, Acharn Pho declines to ordain any new monks. At the moment, Suan Mokkh has about 40 to 50 monks in residence, but the number can rise to up to 100 during Buddhist “Lent”.
According to Phra Singthong, the abbot seeks to “build more humans than monks” – each year thousands of members of the public, both local and from overseas, have been through the retreat programmes run at another branch of Suan Mokkh, on the other side of the road.
And there have been new efforts to extend the life of Buddhadasa’s teachings. Phra Manop Manito has recently led a month-long intensive training session for young novices. Boys in their teens, from rural and urban areas, have been recruited to spend time together, learning how to live in harmony and with respect to nature.
“We call them Yuwa-Phutthatat [Young Buddhadasa]. After the programme, I have learned of several remarkable cases of change. Some parents came back to tell me how their children are no longer addicted to computer games, snacks and air-conditioning. It confirms my belief that Lord Buddha’s regime can indeed transform people.
“I’m trying to do a follow-up project to see what happens to these boys over the next year, how long can they withstand the influx of materialism, peer pressure, and so on.”
In parallel to the training of novices was a similarly month-long camp for young girls held in April. Dr Sermsap Damrongrat has been running the programme as a special project for the Dharma-Mata retreat centre for women, an idea espoused by Buddhadasa when he was alive.
“You could say it is his last legacy for us,” said Sermsap. “He would like women to have a place to practise dharma, to reap the fruits of Buddhism. When women have dharma, he often said, the whole world will have dharma too.”
Buddhadasa’s teachings are not restricted to temples. Aroon Srisuwan, a retired member of staff at the Khao Sok National Park, said Buddhadasa’s choice of the forest as a place to keep his ashes could be considered a “blessing” to life here. The presence of relics respected by the villagers has somehow stopped further exploitation of the area.
It is now considered one of the most fertile in the whole country.
The old man still recalled the day, on October 17, 1993, when Buddhadasa’s ashes were carried up the Khao Sok hills. Scores of locals, young and old, swarmed over the area just downstream from the ceremonial raft. Each wanted to save some of the monk’s remains for personal worship at home.
“One managed to get a piece of bone,” Aroon said. “A few others got some of the ashes. Most just collected the water from the stream, believing it to be holy.
“But most important of all is what he taught us: To be self-reliant, to respect and learn from nature, to eat simply, to live simply. I myself have kept a bottle of the water from that day, as a reminder of his virtues, a teacher whose footsteps I try to follow.”
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This article is based on a recent trip organised by Sathira Dhammasatan on the occasion of the centenary of the birth of Buddhadasa Bhikkhu.
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December 13, 2011
BUDDHADASA BHIKKHU: 100 ANOS DE HISTÓRIA
por Vasana Chinvarakorn [Bangkok Post, 28 de maio de 2006]
O trabalho do monge que construiu Suan Mokkh – Thailândia.
O pó fino e branco-acinzentado manteve-se brevemente suspenso no ar antes de cair no refrescante córrego abaixo. Assim foram devolvidas as cinzas de Buddhadasa Bhikkhu ao abraço da mãe-natureza, como ele havia especificado em seu testamento.
Treze anos depois, o local mantém-se tão simples como sempre foi. Enterrada profundamente na selva, a área permanece sem qualquer sinal. Não há qualquer indicação, nenhuma marca ostentosa para assinalar que uma vez fora anfitriã de um evento histórico. Árvores continuam a crescer e a morrer, e no seu lugar novas mudas brotam. Elefantes selvagens e outras criaturas ainda vagam pelo Parque Nacional de Khao Sok, a origem do Rio Tapee que banha toda a província de Surat Thani.
Buddhadasa escolheu esta floresta inexplorada como um dos três locais onde suas cinzas seriam espalhadas. Os outros dois, Khao Prasong e as imediações do Parque Nacional Marinho Ang Thong em Koh Samui, também estão localizados próximos à costa meridional de Chaiya, sua cidade natal.
O que poderia estar se passando na mente deste monge quando ele fez o pedido, dois meses antes de sua morte? Sobre o que estariam pensando seus discípulos enquanto subiam as íngremes colinas, ou aventuravam-se pelo vasto oceano, para ofertar um último adeus ao seu professor, que escolheu chamar-se o “Servo do Buddha”? “Meu túmulo são as boas ações que fiz neste mundo ao propagar o dharma; meu cemitério são as ações corretas que empreendi para o benefício de meus semelhantes; gostaria de convidar a todos a seguirem a mesma regra: Que nossos túmulos sejam as boas ações que fizermos para o mundo; que nossos cemitérios sejam os ações corretas que empreendermos para o benefício dos seres humanos, nossos semelhantes”.
Com simples, mas inabalável convicção, Buddhadasa passou 67 anos sob o manto de um genuíno seguidor desta afirmação. Do nada ele construiu Suan Mokkh, o monastério de floresta agora renomado por seua retiros de meditação, tanto para os thailandeses quanto para os estrangeiros. Os seus numerosos trabalhos foram estudados, traduzidos e reimpressos, provavelmente mais do que os de qualquer outro escritor thailandês. Suas tentativas de diálogo inter-religioso foram louvadas como visionárias; sua advertência a respeito do perigo do materialismo, considerada previdente. E em sua repetida insistência a outros buddhistas para que sempre buscassem a essência de sua religião, Buddhadasa demonstrou ser da maior relevância para a sociedade atual.
Sem pretender qualquer proeza sobrenatural, o falecido monge tem sido incessantemente venerado por toda parte. Este ano verá um amplo círculo de atividades para celebrar o centenário de seu nascimento. O nome de Buddhadasa já consta na pequena lista da Unesco, de pessoas que fizeram contribuições duradouras para o mundo. Conferências estão acontecendo, mais livros, sobre e escritos por ele, estão sendo publicados, estátuas esculpidas, selos comemorativos emitidos e visitas aos lugares conhecidos por estarem relacionados ao monge reformista, estão sendo feitas.
Uma peregrinação como esta, entretanto, pode levar à percepção da transitoriedade da vida. A casa onde o pequeno Ngerm (o nome leigo de Buddhadasa) nasceu, há muito foi vendida e reconstruída. A casa na qual cresceu pertence agora a um parente distante, e só o piso superior ainda retém sua estrutura original de quase um século atrás. O mesmo aconteceu com a velha escola onde ele estudou. Durante algum tempo foi transformada em um escritório governamental; agora está vazia, em estado precário e sendo consumida pelo tempo.
O templo onde Buddhadasa foi ordenado, há muito tempo está abandonado; só o salão principal sobrevive. O velho Suan Mokkh, a aproximadamente 14km distante do atual, está reduzido a quase um terço de seu tamanho original. Alguns aldeões invadiram sua área e transformaram partes dela em lagoas de camarão. Pelo menos uma enorme e antiga árvore yang foi poupada. Segundo conta-se, neste lugar, certa vez Buddhadasa foi cumprimentado pelo Patriarca Supremo em exercício, um dos poucos monges seniores que expressamente prestou apoio ao monge de mentalidade progressista.
Onde se pode encontrar o verdadeiro espírito de Buddhadasa? O que ele quis dizer quando, freqüentemente em seus últimos anos, falava “Buddhadasa ainda vive, nunca morrerá”? Surpreendentemente, Suan Mokkh passou, em grande medida, incólume através dos anos. É como se o monastério de floresta tivesse sido apanhado em uma cápsula do tempo. Ao passar pelo portão principal, onde nenhum carro é permitido, a pessoa deixa para trás o mundo alvoroçado das relações pessoais, a correria mesquinha e as excentricidades diárias da vida moderna. Lá, a calma e ressonante voz de Buddhadasa, em gravações de ensinamentos de Dharma, ainda pode ser ouvida, reproduzida para uma assembléia de monges e pessoas leigas que se congregam na área de pedra em forma de meia lua.
A elaborada estátua de Avalokiteshvara permanece imperturbada entre outras peças de estilo indiano, esculpidas por indicação de Buddhadasa após sua visita feita àquele país em 1955. O Salão de Entretenimento Espiritual, uma inovação sua, guarda sua coleção de pinturas Zen enigmáticas e outras saturadas com mensagens espirituais. Também imperturbado é o “Pavilhão da Rainha da Beleza” que ostenta três esqueletos: de uma vencedora do concurso de miss, o de um homem e de uma criança, e a Colina Phutthong com seu salão ao ar livre sem igual, onde “árvores servem como paredes, a terra como azulejos e o céu como um telhado”.
Um esforço tem sido feito para preservar as iniciativas do fundador tais como surgiram décadas atrás. O solitário coqueiro, na ilhota da famosa lagoa Nalike, é um bom exemplo. Phra Singthong Khemiko, o assistente particular de Buddhadasa, disse que a árvore atual foi plantada no lugar de suas predecessoras que haviam cumprido o seu tempo e morreram. Na bem conhecida canção de ninar que teria inspirado Buddhadasa a cavar a lagoa, o coqueiro solitário pode manter-se à distância, livre das “chuvas e trovões”, das intempéries da vida. A árvore é, assim, um símbolo para o nirvana, a terra da não-morte. Atingir realmente tal estado de libertação é outra questão.
Por outro lado, vale a pena examinar a habilidade da administração atual do Suan Mokkh para adaptar-se a novos contextos. Phra Singthong disse que Ajahn Pho, o abade, é notável por seu comportamento modesto. Ele continua levando uma vida moderada seguindo máxima de seu mestre: “Viver humildemente, agir com nobreza”. Ofertas dos devotos em dinheiro e outros objetos de valor, são firmemente rejeitadas. Desde o falecimento de Buddhadasa, Ajahn Pho recusa-se a ordenar qualquer novo monge.
Atualmente Suan Mokkh tem aproximadamente de 40 a 50 monges residentes, mas o número pode subir para 100 durante a “estação das chuvas buddhista”. De acordo com Phra Singthong, o abade empenha-se mais em “construir seres humanos do que monges” – a cada ano, milhares de membros da comunidade local e também estrangeiros, terminam os programas de retiro que ocorrem na outra parte de Suan Mokkh, do outro lado da estrada. E há novos esforços para estender a vida dos ensinamentos de Buddhadasa. Phra Manop Manito conduziu recentemente uma série de treinamentos intensivos de um mês de duração para jovens noviços.
Rapazes na adolescência foram recrutados, de áreas rurais e urbanas, para conviverem por um tempo e aprenderem a viver em harmonia e com respeito pela natureza. “Nós os chamamos Yuwa-Phutthatat [Jovens Buddhadasas]. Depois do programa, tomei conhecimento de vários casos notáveis de transformação. Alguns pais vieram me falar sobre como os seus filhos já não estavam mais viciados em jogos de computador, lanches e ar condicionado. Isso confirma minha fé de que o modo de vida do Senhor Buddha pode realmente transformar as pessoas. “Estou tentando dar seqüência a esse projeto para ver o que acontece a estes meninos durante o próximo ano, por quanto tempo conseguem resistir à concorrência do materialismo, à pressão dos amigos, e assim por diante”.
Em paralelo ao treinamento de noviços, houve um acampamento semelhante para moças realizado durante to o mês de abril. A dra. Sermsap Damrongrat tem dirigido o programa como um projeto especial para o Centro Dharma-Mata de Retiro para Mulheres, uma idéia acalentada em vida por Buddhadasa. “Você poderia dizer que é o último legado de Buddhadasa Bikkhu para nós”, disse Sermsap. “Ele gostaria de que as mulheres tivessem um lugar para a prática do Dharma, e colhessem os frutos do Buddhismo. Quando as mulheres têm Dharma, ele dizia freqüentemente, o mundo inteiro tem Dharma também “.
Os ensinamentos de Buddhadasa não estão restritos aos templos. Aroon Srisuwan, um funcionário aposentado do Parque Nacional de Khao Sok, disse que a escolha da floresta, feita por Buddhadasa, como lugar para depositar as suas cinzas, poderia ser considerada uma “bênção” para a vida local. A presença de relíquias respeitadas pelos aldeões de algum modo interrompeu a exploração invasora da área considerada uma das mais férteis no país inteiro agora. O velho homem ainda recorda do dia, 17 de outubro de 1993, quando as cinzas de Buddhadasa subiram as colinas de Khao Sok. Um grande número de habitantes locais, jovens e velhos, fervilhavam por toda parte ao longo do rio por onde passou a balsa cerimonial.
Cada um quis salvar alguma parte dos restos mortais do monge para adoração pessoal em casa. “Uma pessoa tentava conseguir um pedaço de osso”, Aroon disse. “Outros poucos conseguiram partes das cinzas. A maioria só coletou a água da corrente acreditando ser sagrada”. Mas o mais importante de tudo é o que ele nos ensinou: Ser auto-confiante, respeitar e aprender com a natureza, comer frugalmente, viver de forma simples. Eu mesmo mantive uma garrafa de água daquele dia, como uma lembrança de suas virtudes, um mestre cujos passos tento seguir.
© 2006 tradução de Jorge Luiz Ricardo Furtado, para a Comunidade Nalanda, http://buddhadasa.nalanda.org.br
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December 10, 2011
Young Thais told to study Buddhism after much loved Buddhist monk
TNA News, May 26, 2006
BANGKOK, Thailand — Caretaker Education Minister Chaturon Chaisang on Friday urged young Thai Buddhists to study and adopt the practices of one of the country’s most respected religious leaders, Buddhist monk Buddhadasa Bhikkhu, who was recognised by the United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (UNESCO) as one of the world’s ‘Great Personalities’.
The minister spoke at the start of a three-day-event to celebrate the late monk’s 100 anniversary being held at Bhuddamonthon, on the western outskirts of Bangkok.
Mr. Chaturon said the Thai public should follow the steps of the celebrated monk in studying and practicing Buddhism which would lead them to a better understanding between faiths and to save themselves from the material world.
The event, hosted by the Royal Thai Government, began Friday and will last until May 28. Her Royal Highness Princess Maha Chakri Sirindhorn, the UNESCO Goodwill Ambassador of Empowerment of Minority Children and the Preservation of their Intangible Cultural Heritage, will preside over the event
on Saturday.
The education minister said the government wanted to use this opportunity to promote Buddhist study among Thai youth. He said the late monk included new communication technology in his Buddhist teachings, and that the government has reproduced his work in prints, cassette tapes, videotapes and
CDs to distribute to the public.
Buddhadasa Bhikkhu is respected for promoting understanding between people of different faiths, his determination to rid everyday life of materialism and to teach young people to think for themselves and be able to analyse.
The revered monk is the 18th Thai citizen granted the honorary title by the world cultural organisation.
Born on May 27, 1906 as Nguam Panich in the southern district of Chaiya of Surat Thani province, he entered the monkhood at the age of 20. He was promoted to become Phra Dhammakosajarn in 1977.
During his lifetime, he wrote 140 books, more than 20 of which were translated into foreign languages such as English, French, German, Chinese and Indonesian.
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December 10, 2011
JOVENS THAILANDESES SÃO ESTIMULADOS A PRATICAR O BUDDHISMO SEGUINDO O EXEMPLO DO MUITO AMADO MONGE BUDDHISTA
Jornal TNA News, de 26 de maio de 2006
Bangkok, Thailândia – O Ministro da Educação interino da Thailândia Chaturon Chaisang encorajou, nesta sexta-feira, os jovens buddhistas thailandeses a estudar e a adotar as práticas de um dos mais respeitados lideres religiosos do país, o monge buddhista Buddhadasa Bhikkhu, reconhecido pela UNESCO (Organização Educacional, Científica e Cultural das Nações Unidas) como uma das “Grandes Personalidades” do mundo.
O Ministro Chaturon fez um pronunciamento na abertura de um evento de três dias organizado para celebrar o centenário de nascimento do falecido monge, evento realizado em Bhuddamonthon, área localizada nos arredores da capital Bangkok.
Naquela oportunidade, o Ministro afirmou que a população thailandesa deveria seguir os passos do célebre monge no estudo e na prática do Buddhismo, o que a conduziria a uma melhor compreensão das religiões, salvando-a do mundo material.
O evento, organizado pelo governo do Reino da Thailândia, começou nesta sexta-feira (26.05) e se encerrará no domingo (28.05). Será presidido, no sábado, pela Sua Alteza Real Princesa Maha Chakri Sirindhorn, Embaixadora da Boa Vontade pela UNESCO para a Qualificação da Minoria Infantil através da Educação e da Preservação da sua Herança Cultural.
O Ministro da Educação declarou que o governo desejaria utilizar aquela oportunidade para promover o estudo do Buddhismo entre os jovens thailandeses. Explicou, também, que o falecido monge utilizava tecnologias de comunicação inovadoras em seus ensinamentos buddhistas e que o governo havia decidido reproduzir o seu trabalho através de publicações impressas, fitas de áudio e de vídeo e de CDs para serem distribuídos por toda a população.
Buddhadasa Bhikkhu é respeitado por promover o entendimento entre os seguidores dos diferentes credos religiosos, pela sua determinação em libertar a vida cotidiana do materialismo e por ensinar os jovens a pensar e a serem capazes de realizar análises com autonomia.
O cultuado monge é o décimo-oitavo cidadão thailandês a receber o título honorário de “Grande Personalidade” concedido pela organização cultural das Nações Unidas.
Nascido no dia 27 de maio de 1906, no distrito meridional de Chaya localizado na província sulina de Surat Thani, foi registrado com o nome de Nguam Panich. Entrou para a vida monástica com a idade de 20 anos e, em 1977, recebeu o título honorífico de Phra (Venerável) Dhammakosajarn.
Durante toda a sua vida escreveu 140 livros dos quais mais de vinte já foram traduzidos para os idiomas inglês, francês, alemão, chinês e indonésio.
© 2006 tradução de Fernando Domicildes, para a Comunidade Nalanda, http://buddhadasa.nalanda.org.br
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